Quem possui acesso a canais pagos na televisão encontra, em um deles, em determinada noite de todas as semanas, uma sequência de três episódios de três séries distintas, porém interligadas, cujo tema central é o trabalho realizado pelo Federal Bureau of Investigation (FBI). Esse é o equivalente, nos Estados Unidos da América, à Polícia Federal aqui no Brasil. Em todos eles os personagens centrais resolvem a totalidade dos problemas que surgem e asseguram a manutenção dos interesses do seu país com muita inteligência e bravura. Vendem imagem de perfeição, como convêm na propaganda midiática internacional que aquele país mantém, com elevado investimento. Mas, na realidade, esse percentual de resolução não é de cem por cento. Talvez até esteja longe disso.

Em 1971, no aeroporto da cidade de Portland, a maior do estado de Oregon, um homem de meia-idade embarcou em voo da empresa Northwest Orient Airlines com destino a Seattle, também a maior só que no estado de Washington. Vestido com elegância e portando uma pasta preta, ele não despertou qualquer tipo de suspeita. Sentou-se na última fileira e pediu que lhe servissem uma dose do Bourbon com refrigerante, logo no início da viagem, dedicando depois sua atenção às nuvens e à paisagem. Depois de algum tempo ele chamou uma das aeromoças e alcançou um bilhete. Ela imaginou que o cidadão sorridente estava tentando alguma daquelas propostas pessoais e pouco decentes, que não são incomuns. Então, amassou o bilhete e o colocou no bolso.

Foi quando ele disse que seria aconselhável ela ler e, mais do que isso, levar a informação para o comandante. Ainda com o mesmo sorriso de antes, abriu a maleta discretamente e mostrou que tinha um artefato explosivo dentro dela. Era o que o bilhete, escrito com letras de forma bem desenhadas, dizia. Ela então comunicou o fato aos pilotos. Evidente que apenas em virtude de o sistema de segurança naquela época estar longe de ser o exigente e cuidadoso de agora, em tempos pós 11 de setembro, tal situação se tornou possível. Já em estado de alerta, após o pouso foi comunicado aos demais passageiros a situação. As exigências apresentadas pelo sequestrador eram receber 200 mil dólares em notas não rastreáveis, dois pares de paraquedas e que reabastecessem o avião para que decolasse outra vez. Uma vez atendido, liberou todos menos a tripulação, que ficou na cabine fechada. A ordem foi seguir para a Cidade do México.

Em algum ponto do voo, dentro do território dos EUA, o homem abriu a porta traseira do Boeing 727 e saltou, na calada da noite. Nunca mais foi encontrado. E nem mesmo o seu nome verdadeiro foi descoberto. Não existia o cidadão Dan Cooper, que comprou a passagem e pagou em dinheiro vivo. Seu retrato falado foi distribuído por todo o país, sem que isso surtisse efeito. O caso permaneceu aberto por 45 anos, até 2016, com o FBI tendo investigado cerca de mil suspeitos ao longo do tempo. Ou seja, gastaram mais na busca do criminoso do que o valor que ele obteve com o sequestro. A pedida, aliás, foi relativamente modesta. Talvez isso se explique pelo fato de que uma quantidade muito grande de notas seria mais difícil de transportar. Desta vez os “mocinhos” perderam. Mas ninguém saiu ferido, exceto os brios dos policiais federais e o orgulho dos norte-americanos em geral.

25.08.2022

Retrato falado de Dan Cooper, o homem que o FBI não conseguiu encontrar

O bônus de hoje é o áudio da música tema dos filmes da série Missão Impossível. Um sucesso na época do lançamento, ela chegou a ocupar a posição 16 na Billboard 200 e gerou um hit no Top 10. Foi criada e executada por Adam Clayton e Larry Mullen Jr., integrantes da banda irlandesa de rock U2.

Theme from Mission Impossible, por Adam Clayton e Larry Mullen Jr. 

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