Por que será que estamos permitindo que o viver, hoje em dia, se pareça com uma gincana na qual a disputa é constante, ou com uma corrida de obstáculos, onde a linha de chegada é, ironicamente, o nosso cansaço? Acordamos com o celular vibrando notificações e, antes mesmo de o café filtrar, já estamos calculando a demora no trânsito, mentalmente na reunião das dez, elaborando a lista de compras do próximo sábado. Por que tanta pressa?

Corremos para chegar a lugar nenhum. Atropelamos o sabor da comida com garfadas ansiosas, abreviamos conversas interessantes com o uso de respostas automáticas. E transformamos até mesmo o lazer em uma obrigação, algo que também precisa alcançar produtividade. Se estamos parados, nos sentimos culpados. Se estamos em silêncio, achamos que algo está errado. A pressa virou uma espécie de escudo ou desculpa: enquanto corremos, não precisamos olhar para dentro. Precisamos é chegar antes, em primeiro. Estamos mergulhados em uma obsessão por atalhos.

Está na hora de um convite ao recolhimento. A saúde e a felicidade não moram na velocidade, mas na nitidez. Quando corremos, a paisagem vira um borrão que passa veloz ao lado do meio de transporte. Para conquistar uma vida mais plena, é preciso coragem para desacelerar ou, como diriam os antigos, para “ficar um pouco de molho” na própria existência. Temos que relembrar o valor da simplicidade. A felicidade raramente está no excesso. Ela se esconde na luz que entra pela janela, no cheiro da terra após a chuva ou na escuta atenta de quem amamos. O “menos” não é falta: é espaço para o essencial.

Está na hora de se desenvolver um olhar mais sensível, de reaprender a notar aquilo que não grita. De perceber as nuances do próprio corpo, os sinais que ele constantemente emite e os pequenos milagres cotidianos que a pressa insiste em esconder. E um dos remédios para isso é o silêncio. Um recolhimento que não pode nem deve ser confundido com algum tipo de isolamento. É apenas uma parada necessária para que se reabasteça e se busque a reorganização das ideias e dos propósitos. Nossa mente e nossa alma precisam descansar dos ruídos do mundo exterior, da “modernidade”.

Viver de forma saudável é entender que o corpo tem um tempo que a tecnologia não respeita. Nossas células não acompanham a fibra óptica, mas são muito mais perfeitas e importantes do que ela. Precisamos de pausas, de sono sem telas, de pés descalços e de momentos de “nada”.

Que tal, hoje, em vez de correr contra o relógio, você caminhar a favor do seu próprio ritmo? A vida não é uma prova de cem metros: na verdade ela é uma maratona, uma longa travessia que valerá muito a pena se nós pudermos sentir o chão sob os pés. Se mantivermos o olhar na chegada, nos objetivos, mas ao mesmo tempo não permitindo a distração que nos impeça de observar e aproveitar todas as belezas e os momentos que estão no percurso, no caminho. A pressa é a forma mais comum de se chegar tarde ao que realmente importa.

14.05.2026

O bônus de hoje é clipe da música Trem-Bala, de Ana Vilela.

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