SOLDADOS ISRAELENSES EM PRAIAS BRASILEIRAS
Um fenômeno recente, que tem sido constatado por turistas brasileiros e também de outras nacionalidades que têm tradição em frequentar nossas praias, é a presença de um grande número de jovens israelenses que, aos poucos, estão tomando conta de espaços inteiros. Pelo menos duas delas podem ser citadas como epicentros dessa situação. São a Praia do Rosa, no município de Imbituba, Santa Catarina; e o Morro de São Paulo, no município de Cairu, na Bahia.
Estes “invasores exóticos” andam em bandos, são barulhentos e consta que, em algumas situações, intimidam e até ameaçam as pessoas. O que se sabe sobre eles é que todos eram ou são integrantes das forças armadas de Israel. Os primeiros são os recém liberados do serviço militar obrigatório em seu país, vivendo o post-army trip (viagem pós-exército). Os demais estão em períodos de licença após ações em Gaza e na Cisjordânia, sendo essa uma espécie de prêmio por seu desempenho. A escolha por esses dois pontos do litoral brasileiro seria em virtude de ser uma vibe rústica, com vida noturna muito ativa e ainda a natureza razoavelmente preservada.
O número deles é tão significativo que já existem pousadas e também restaurantes que se especializaram para atender tal público. Cada vez mais se vê menus em hebraico e facilidades logísticas à disposição. O que demonstra agrado de boa parte dos empresários locais, que estão lucrando muito com isso. Por outro lado, essa presença tem gerado debates intensos e incidentes – são muitos e crescentes os registrados nos últimos tempos. Um dos mais recentes, que rendeu postagens nas redes sociais, foi o que ocorreu com uma brasileira que apareceu no Morro São Paulo com uma pequena bandeira da Palestina.
A moça, que é brasileira e moradora da região, começou a ser seguida e filmada por um grupo desses militares estrangeiros, que a hostilizavam. Então, passou a fazer o mesmo, com o registro das cenas. A partir disso dois homens não estrangeiros, negros que estavam acompanhando os israelenses, tomaram dela tanto a bandeira quanto seu celular. A vítima dos roubos procurou a polícia, que a acompanhou de volta ao local. Ao que consta, a bandeira foi recuperada mas não o celular. Os policiais militares a levaram até a Delegacia de Polícia local, que estava fechada, não tendo sido possível registrar no mesmo momento o BO – Boletim de Ocorrência. Não o fez de modo presencial, mas digitalmente a providência foi tomada.
Isso ocorreu dias atrás, em fevereiro. O caso gerou um debate local sobre a “descaracterização” do Morro de São Paulo. Há a sensação crescente de que algumas áreas já são como “territórios estrangeiros”. Moradores pobres – como possivelmente os dois que estavam com o grupo – estão sendo cooptados pela força do dinheiro. E fazem, quando necessário, o “trabalho sujo”, evitando que os israelenses se indisponham diretamente com as autoridades brasileiras. Normas de convivência estão sendo o tempo todo quebradas, sem que as pessoas se sintam seguras até mesmo para se queixar.
Naquela praia baiana, desde o píer onde atracam barcos que chegam ao local – é uma ilha, sendo marítima a única forma de acesso – até o que chamam de terceira praia, apenas na rua principal, existem pelo menos 14 estabelecimentos que exibem placas em hebraico. Quem não conhece esse idioma fica sem entender o que estão oferecendo os comerciantes, as agências de turismo e até mesmo um carrinho de churros. Já existe inclusive uma sinagoga e começam a aparecer crianças batizadas com nomes israelenses. O que é outro choque cultural, uma vez que aquele povo não é cristão, em sua esmagadora maioria.
Entre a Bahia e Israel há, de forma simplista, um oceano e um continente (o Atlântico e a África). Mesmo tendo apenas 8,7 milhões de habitantes, daquele país chega o segundo maior contingente de turistas para esta praia citada. Perdem apenas para a Argentina, bem mais perto e tendo 44 milhões de habitantes. No Morro de São Paulo os israelenses superam em muito a presença de franceses, italianos e espanhóis, todos juntos, mesmo tendo um voo direto entre Salvador e Madrid, por exemplo.
Um terceiro ponto está surgindo no litoral brasileiro, com problema igual. É no Guarujá, no Estado de São Paulo. Neste, como nos demais, está sendo normal e permitido bandeiras de Israel desfraldadas. Mas, ai de quem circula com qualquer símbolo que lembre palestinos e árabes. E não se pode esquecer que oficialmente o Brasil mantém relações com todos os lados deste conflito, que parece estar sendo importado e chega junto com esses visitantes mais recentes.
1º.03.2026

O bônus de hoje é Pé na Areia, com Diogo Nogueira.
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