Tarde desta quarta-feira, 15 de abril, na rodovia BR-381, na altura de Sabará, região metropolitana de Belo Horizonte. Um veículo da Band Minas colide frontalmente com um caminhão e fica praticamente destruído. Nele estavam o cinegrafista Rodrigo Lapa, que dirigia, e a repórter Alice Ribeiro. Lapa, natural de Porto Alegre, 49 anos, estava radicado em Belo Horizonte e faleceu no local. Segundo consta, ele era muito querido nos bastidores. Também palhaço de formação, costumava realizar trabalhos voluntários em hospitais. Alice, 35 anos, sofreu ferimentos graves e teve que ser removida por uma aeronave do Corpo de Bombeiros, sendo encaminhada ao Hospital João XXIII, na capital mineira.
A ironia dolorosa é o tema da pauta que tinham acabado de cumprir. Foram realizar reportagem sobre a importância daquela rodovia ser logo duplicada, para reduzir o número de acidentes fatais. Cerca de 20 minutos antes Alice chegou a fazer uma entrada ao vivo em um telejornal local da emissora. A Polícia Civil iniciou de imediato a perícia necessária para esclarecer as circunstâncias do fato.
Não é a primeira vez que o destino brinca com profissionais da imprensa desde mesmo modo. Em junho de 1987, na BR-101, próximo a Itaboraí, houve algo ainda mais impressionante. A TV Globo Rio enviara uma equipe de quatro pessoas para cobrir um desastre ferroviário. No caminho, ocorreu um acidente que vitimou todas elas. Perderam suas vidas o repórter cinematográfico Luiz Amorim, o auxiliar de iluminação Antônio de Pádua, o auxiliar de externa Hélio de Oliveira e o motorista Jorge Luis de Oliveira.
Diante da tragédia, outra equipe também com quatro componentes foi escalada para cobrir as mortes dos colegas. Estavam neste segundo grupo o repórter cinematográfico Aristeu Bento de Souza, o auxiliar de iluminação Jorge Luís de Souza, o auxiliar de externa Francisco de Assis e o motorista Luiz Carlos da Silva. Todos estes se encontravam de folga ou em outras escalas, mas aceitaram se deslocar para o local, em função das circunstâncias. Mesmo sob forte comoção, fizeram o trabalho. Mas, no seu retorno, um novo acidente os vitimou a todos. Foram oito os profissionais perdidos, em coincidência sem precedentes, em poucas horas.
Aristeu tinha o mesmo nome e a mesma profissão do pai. O veterano era um renomado cinegrafista, um dos pioneiros da imagem na Globo. Fora um dos responsáveis por coberturas históricas, como as dos incêndios nos edifícios Joelma e Andraus. Ele estava na redação quando recebeu a notícia da morte do filho.
Há quem acredite que casos como esses são apenas trágicas coincidências. Do mesmo modo que seriam coincidências quase tudo o que acontece nas nossas vidas. Mas, outros conseguem ver uma mão invisível, por razões insondáveis, nos conduzindo como marionetes, personagens de uma peça teatral cujo enredo foi escrito por uma força sobre a qual não temos controle. O tal destino. Existem ainda os que juram que sabemos sim dos papéis que temos que cumprir, que tudo foi acertado anteriormente, mesmo que isso não esteja claro agora nas nossas consciências. Seria a Lei de Causa e Efeito, que estaria cobrando dívidas de forma implacável. Agora, seja qual for a verdade, entre estas e outras tantas hipóteses possíveis, o que fica claro é a impermanência absoluta. O término de jornadas quando nem de longe se poderia imaginar que tal momento chegara. E contra essa urgência indesejada, apenas o bem viver pode ser um atenuante. Tanto para quem vai, quanto para quem fica.
16.04.2026

O bônus de hoje é a música Como Uma Onda, de Lulu Santos, em clipe gravado ao vivo.
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