A LINHA AÉREA MAIS CURTA DO MUNDO

O percurso entre os dois aeroportos é cumprido em voo que leva menos de dois minutos. A média de duração da viagem fica em 80 segundos, sendo que o recorde, que foi alcançado graças a bons ventos favoráveis, ficou em exatos 53 segundos. A distância entre as duas pistas, de decolagem e de pouso, é de 2,7 quilômetros. E apenas uma aeronave faz esse trajeto, todos os dias. A passagem custa 17 libras, ou R$ 105,00 aproximadamente, valor que é pago tanto pelos moradores locais quanto por eventuais turistas, sem que haja diferença no preço. E não há serviço de bordo, obviamente, por que não daria tempo.

Isso ocorre entre duas ilhas que ficam no arquipélago Orkney, localizado ao norte da Escócia e que pertencem àquele país: Westray Island e Papa Westray Island. A região é definida por costas recortadas e pela total falta de árvores em ambos os territórios. Algo assim como ainda vai terminar a Amazônia, se Bolsonaro for reeleito. Das 70 ilhas que formam o conjunto, apenas 20 delas são habitadas. As duas que mantêm esse, que é o voo comercial mais curto e breve do planeta, estão entre elas. As autoridades já discutiram a possibilidade de que uma ponte fosse construída, mas a população é tão pequena e o uso seria tão restrito que não compensaria o enorme custo da obra. São cerca de 600 pessoas em Westray e 100 em Papa Westray, em números redondos.

O avião não tem tempo nem necessidade de alcançar uma grande altitude. Então, voa a 350 pés, em velocidade de 150 milhas por hora. Convertendo, para que a maior parte das pessoas entendam, isso equivale a cerca de 107 metros de altura e 240 quilômetros por hora. Quem não usa a aeronave pode optar por um serviço de balsas, que é muito lento. Agora, mesmo essa aparente facilidade toda não pode abrir mão de uma equipe técnica, para que as viagens aéreas aconteçam. São dois controladores de voo e quatro bombeiros para emergências, metade deles nas decolagens e metade nos pousos.

As Ilhas Orkney – em português chamadas de Órcades –, todas elas consideradas conjuntamente, têm um total de 990 quilômetros quadrados de área e uma população que soma pouco mais de 22 mil pessoas. O arquipélago é habitado desde 3.500 a.C., inicialmente por um povo que ficou conhecido como orcanianos. Suas tribos se dedicavam a trabalhos feitos em metal. Depois houve uma invasão pelos pictos. E por volta do ano 800 chegaram os vikings, que escravizaram os demais. Para esses últimos o local era estratégico, uma vez que está a meio caminho entre a Noruega e a Escócia, servindo como base de inverno para as expedições que iam pilhar as Ilhas Britânicas. Mais tarde os invasores mesmo se encarregaram de tornar a área uma colônia de pastores e agricultores.

Depois disso, no Século X, as Órcades se converteram em um reino nórdico independente, que declarou vassalagem à Noruega. E em 1472 foram passadas para a custódia escocesa, por um motivo que hoje soaria como insólito: acabaram sendo oferecidas ao rei Jaime III, da Escócia, como dote por ocasião do seu casamento com a princesa Margarida, da Dinamarca. Isso porque Noruega e Suécia faziam parte do reino dinamarquês e o rei Cristiano I achava aquela província pobre e desinteressante, não se importando de abrir mão do seu controle.

Para curiosos que possam vir a planejar uma viagem ao arquipélago, como turistas, convêm citar que há muitos atrativos, especialmente em duas cidades, que são Kirkwall e Stromness, em outras das ilhas. Há culinária de qualidade, belíssimas paisagens, praias pacatas, uma surpreendente hospitalidade e até mesmo abundância de vida selvagem nos arredores. Ou seja, serve para quem deseja descansar e também para quem busca aventura. E no pacote não seria difícil incluir essa viagem de avião, que motivou o texto de hoje. Ela não teria nada de cansativa, mas muito de inabitual.

13.08.2022

Avião da Loganair, empresa que faz o voo entre as duas ilhas escocesas

O bônus musical de hoje é outra vez duplo. Primeiro temos o áudio de Linha do Horizonte, com a banda Azimuth. Ela foi formada em meados dos anos 1970, na cidade do Rio de Janeiro, tendo em sua composição três músicos de estúdio que antes acompanhavam diversos artistas de sucesso na MPB: Alex Malheiros, Ivan Conti e José Roberto Bertrami. Depois é a vez de Jayminho Lima apresentar, com violão e voz, Medo de Avião, de Belchior.

Linha do Horizonte – Azimuth

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