Por favor, não joguem as pedras antes do texto ser lido. Quero começar dizendo que o título dessa crônica sequer foi criado por mim, mas por duas mulheres que o deram a um livro que escreveram. A Mulher Perfeita é Uma Vaca é apresentado como “um guia de sobrevivência para mulheres normais”, sendo de autoria de Anne-Sophie Girard e Marie-Aldine Girard, irmãs gêmeas que nasceram em Montpellier, na França. Uma delas é humorista e a outra jornalista, o que talvez já sirva para explicar um pouco as coisas. Na sua própria apresentação elas fazem questão de dizer que são “imperfeitas assumidas”. E relatam que já viram Dirty Dancing – um filme que pode ser classificado como drama romântico-musical – umas 47 vezes, adoram criar coreografias para músicas bregas e já conseguiram confundir manjericão com arruda. Fico aqui imaginando o gosto que deve ter restado do prato que estavam fazendo.

Com um texto mais do que objetivo elas colocam verdades que com certeza toda mulher gostaria de ouvir – ou ler, nesse caso. E explicam que ser perfeita é uma ilusão inatingível, apenas servindo para tornar infeliz quem ainda acredita que pode conseguir isso. O pior, colocam as autoras, é que essa ilusão não impede flacidez nem celulite, mas causa depressão e outros males para a saúde física e mental. Elas vão adiante e afirmam que uma mulher de modos requintados, corpo esbelto, ativa, culta, sem olheiras é alguém absolutamente insuportável. E se dirigem a quem passa a vida toda lutando contra a balança, tentando em vão evitar os chocolates e os doces; numa luta contra a preguiça e a favor da academia; fazendo malabarismos para administrar o tempo; e suportando inúmeros planos que terminam não dando certo.

O livro tem uma estrutura semelhante àqueles de auto ajuda. Mas não se iludam com as aparências: ele vai muito além disso. Ele foi feito com uma série de capítulos curtos, que elas preferem chamar de “regras”. Em cada um deles as autoras abusam da ironia e do humor ácido que visa apenas derrubar muitos complexos que atormentam as mulheres, devido à estrutura machista e ainda conservadora que tem a sociedade. Tentam fazer com que as “imperfeitas”, que são todas as normais e aquelas não idealizadas, possam desfrutar a vida.

O prefácio é assinado por Christine Berrou, também francesa, uma atriz e escritora – recomendo Em Busca do Tempo Perdido na Internet – que é bastante conhecida em seu país, onde além de ser muito atuante no teatro mantém programa de TV. Nesse texto de apresentação ela destaca que “apesar da aparente falta de seriedade do sumário, elas falam de coisas essenciais”. Também confessa que foi convidada para a tarefa por ter manifestado inveja por não ter pensado ela própria em escrever esse livro. E resume tudo ao dizer que “aceitar-se imperfeita é se aproximar da plenitude”.

Quanto a mim, a confissão que faço é que fui atraído pelo título do livro, tão absurdo quanto improvável. Comprei – ele é bem baratinho – e li com bastante interesse. Mesmo havendo um suposto direcionamento da obra para um público leitor feminino, fazer isso não me causou nenhuma espécie de constrangimento. Até porque está mais do que na hora de homens também dedicarem atenção a temas e assuntos que parecem ser apenas de mulheres. Parafraseando alguns anúncios de um dos grandes bancos brasileiros, “isso muda(ria) o mundo”.

23.04.2022

O bônus de hoje é Desconstruindo Amélia, de Priscilla Novaes Leone, uma compositora, cantora, multi-instrumentista e apresentadora de TV natural de Salvador, Bahia. Se você ainda não sabe quem é ela, deixo aqui também o apelido pelo qual ficou muito conhecida: Pitty.

DICA DE COMPRA

Clicando sobre a imagem da capa acima, você adquire o livro que foi assunto na crônica de hoje, pagando a bagatela de R$ 9,90. Pode até comprar mais de um, reservando exemplares para dar de presente para amigas ou no Dias das Mães, que se aproxima. Mas faça isso logo, porque o preço pode sofrer alteração sem aviso prévio. Se você usar esse link, o blog é comissionado e tem a sua continuidade assegurada.

1 Comentário

  1. As autoras visaram apenas derrubar muitos complexos e preconceitos que ainda nos atuais tempos atormentam as mulheres, devido à estrutura machista da sociedade global e ultraconservador que tem a sociedade. Monstraram que as “imperfeitas”, é são normais e aquelas não idealisadas, que a qualquer custo buscam a auto perfeição para desfrutarem seus desvaneios de perfeição e que pensa como a vida deveria ser, um conto de fada.

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