A natureza é tão perfeita que talvez seu maior “erro”, quem sabe único, tenha sido o homem. Tudo o que nela existe se basta e complementa. Os ecossistemas são território em perfeito equilíbrio e um bom exemplo para comprovar isso foi um experimento muito simples, realizado ainda no ano de 1960, pelo engenheiro elétrico inglês David Latimer. Ele fez uso de um garrafão de vidro que era usado para armazenar ácido sulfúrico e criou, no seu interior, um “terrário”. Para tanto, colocou boa quantidade de terra fértil, água e um broto de planta. Ao que consta, se tratava de um exemplar de tradescantia, que é nativa do México, sendo também conhecida pelos nomes populares de judeu errante ou manto de viúva. Depois, lacrou o recipiente e o colocou em local onde receberia sempre uma boa insolação.

Desde então, o recipiente selado foi aberto uma única vez, em 1972, para que fosse adicionado um pouco mais de água. O engenheiro então lacrou outra vez e mantêm apenas o hábito de girar o garrafão, que está colocado perto de uma das janelas de sua casa, para que o sol o ilumine por todos os lados. O ecossistema segue isolado e em equilíbrio. As bactérias do composto decompõem as partes mortas da planta e também oferecem a transformação do oxigênio em dióxido de carbono, para a fotossíntese da qual as plantas precisam para sobreviver. Ocorre uma micro conversão e tudo se realimenta. A autossuficiência é completa, exceto pela necessidade de receber a luz solar. Exatamente como aconteceria se a planta estivesse fora.

Nosso planeta é um imenso garrafão, com a diferença que a ação do homem sobre o sistema o tem desequilibrado de tal forma que está se tornando insustentável, em processo praticamente irreversível. Pior é ninguém estará do lado de fora, de prontidão, preparado para socorrer adicionando água – muito menos ar. Nós não temos como sair do garrafão, na busca de um ambiente menos hostil. Até porque hostil mesmo ao ambiente somos nós. A questão é que a natureza, com toda a sua força e exuberância, talvez um dia se restabeleça, com outros arranjos. Mas isso acontecerá depois que não estivermos mais aqui. Estamos caminhando a passos largos para imitarmos os dinossauros. A diferença é que a extinção deles foi por fator externo e nós nem vamos precisar de um meteoro.

Na internet existem tutoriais que orientam quem pretenda imitar o projeto pioneiro de David Latimer. Cada um de nós, se desejar fazer isso, pode ter em casa o seu próprio micro mundo, um “terrário” autossuficiente. Ele pode ser uma alternativa à jardinagem. Uma atividade que ainda trará igualmente consequências terapêuticas, desestressantes. Algo como talvez o bonsai também consiga oferecer, se ficarmos no mesmo “ramo de atividade”. A diferença é que essa proposta ainda servirá de exemplo, podendo ser mostrada para nossos familiares e nossos amigos, sendo uma demonstração cabal do quanto é mesmo importante termos ecossistemas equilibrados. E, pelo que dura, vai se tornar uma boa lembrança depois que se for embora. Uma herança viva.

07.01.2022

David Latimer e seu “jardim lacrado”

No bônus de hoje, o grupo Ponto de Equilíbrio com a música Verdadeiro Valor. Ela está no DVD Juntos Somos Fortes. Essa é uma banda surgida no subúrbio de Vila Isabel, no Rio de Janeiro. Ela tem levado seu reggae para todo o Brasil, desde 1999. E segue em atividade.

3 Comentários

    1. Essa é uma teoria espírita. De que os mundos, como as pessoas, passam por processos evolutivos. Tenho pena é do lugar para onde seriam (ou serão) enviadas boa parte das pessoas que forem “reprovadas” aqui, em breve. Mas, se isso acontecer, a Terra com certeza ficará bem melhor. Talvez minha preocupação deva ser em qual dos grupos acabarei enquadrado. Abraço!

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