É quase impossível não gostar de Buzz Lightyear, o patrulheiro espacial que integra a impagável equipe das animações Toy Story. São quatro histórias repletas de emoção, conduzindo de volta à infância todos os adultos que as assistem, tendo ou não por perto uma criança como desculpa. O grupo é liderado pelo cowboy Woody, contando ainda como inúmeros personagens. São destaque Jessie, o casal Cabeça de Batata, o dinossauro Rex, o cãozinho Slinky, Porquinho, Betty, Sargento e Wheezy. Mas, não é por acaso que o astronauta se chama Buzz. E aqui começa a parte central da nossa narrativa.

Um dos três norte-americanos que estavam a bordo da Apollo 11, que teria pousado na Lua em 20 de julho de 1969, tinha esse nome. Buzz Aldrin acompanhava Neil Armstrong na missão em solo, enquanto o terceiro integrante, Michael Collins, permanecia em órbita lunar. Agora, qual a razão de eu ter usado o verbo condicional? Fiz isso porque ainda hoje há quem duvide que tal pouso de fato tenha acontecido. Cerca de 600 milhões de pessoas estavam à frente de seus aparelhos de TV vendo a façanha – no Brasil ainda nem existia TV a cores. Ou seja, não faltam testemunhas. Só que essas, apesar de “oculares”, viam tudo nas mesmas telas onde a ficção das novelas, dos filmes e dos seriados – na época não havia o que agora chamamos de séries – inventavam todos os dias histórias bem verossímeis. E havia um grande interesse em jogo, em plena Guerra Fria, com EUA e União Soviética disputando a liderança da “corrida espacial”.

A questão é que os soviéticos vinham sendo pioneiros em tudo, até então. Foram eles que lançaram o primeiro satélite da história, em 04 de outubro de 1957, o Sputnik 1, que ficou dando voltas na órbita terrestre durante 22 dias. Também foram eles que colocaram o primeiro ser vivo no espaço: a cadela Laika. Ainda enviaram uma sonda que orbitou o Sol e, além disso, conseguiram levar um homem ao espaço. A Vostok 1 foi tripulada por Yuri Alekseyevich Gagarin, em 12 de abril de 1961. Lá do alto o astronauta russo pronunciou a frase “a Terra é azul”, que virou manchete nos jornais de todo o mundo. Depois, mostrando não existir barreira de gênero, a primeira mulher astronauta foi a russa Vladimirovna Tereshkova, que subiu em 16 de junho de 1963. Isso tudo sem deixar que ocorressem missões bem sucedidas com outros satélites da série Sputnik, que foram pelo menos dez.

Era demais para o orgulho norte-americano. Recursos financeiros extraordinários começaram a ser despejados sobre a NASA. E algo de fato impactante passou a ser buscado, como forma de ofuscar todas as sucessivas vitórias dos russos. O conflito político-ideológico que se estabelecera desde o final da Segunda Guerra Mundial havia se tornado uma disputa constante por todas as hegemonias possíveis. Os dois lados que haviam vencido juntos a luta contra a Alemanha nazista e seus aliados, agora queriam estabelecer supremacia um sobre o outro. Isso se dava no nível diplomático, da economia, nos aspectos militares e também na área tecnológica e até na esportiva. Investimentos pesados em educação e ciência, por ambos os lados, preparavam a luta na área do conhecimento. E a nova fronteira, representada pelo espaço, surgia como a melhor de todas as formas de afirmação de uma suposta superioridade.

Mas não podemos esquecer que o ano em que Armstrong, Buzz e CollinsC foram para o espaço era 1969. Não existiam os computadores poderosos que hoje podem fazer milhares de cálculos em segundos. Pela ótica atual, tudo era extremamente precário. Inclusive a capacidade de transmitir em tempo real o momento do pouso e as posteriores andanças em solo lunar ficam duvidosas. Então, há muito se estabeleceu uma narrativa paralela que questiona se aquilo foi real ou uma imensa representação, que teria sido feita para “virar o jogo” sobre os soviéticos. Um golaço, sem o risco da existência de VAR. Os adeptos da teoria de fraude – que eram e são na maioria norte-americanos, é bom que se diga – se debruçaram sobre as fotos, por exemplo, e começaram a levantar todas as suspeitas possíveis para confirmar sua tese. Falaram entre outras coisas da forma como ficou a indefectível bandeira dos EUA, que balançava mesmo lá não existindo vento; na inexistência de estrelas no céu; e especialmente, da estranha situação de existirem sombras em mais de uma direção, apesar do Sol ser único. E nem todas as dúvidas foram rebatidas com argumentos consistentes.

Mas foi o próprio Buzz que colocou lenha na fogueira, ao conceder uma entrevista no Museu da Ciência de Londres, em 2016. Quando falou sobre aspectos do pouso e da ação no solo, ele deixou escapar que “tudo foi muito bem encenado”. A frase caiu como uma bomba e bastou para que isso fosse considerado uma confissão. O tabloide britânico The Daily Express chegou a publicar um artigo sobre o fato, usando essa expressão na manchete. Não se pode esquecer que Aldrin era militar e lutou na Guerra da Coreia como piloto de caça. Portanto, era pessoa preparada para cumprir ordens sem questionar e depois “esquecer” convenientemente daquilo que considerava como seu dever. Também não se pode deixar de considerar que dois anos antes, em janeiro de 1967, no treinamento para uma decolagem outros três astronautas do Projeto Apollo morreram, comprovando não ser totalmente seguro o processo.

Se houve ou não uma encenação, o que obviamente foi preparado bem antes foi a frase de Armstrong ao pousar (ou não) na Lua. Também nisso teriam que superar Gagarin e todos os russos. A cor da Terra vista do alto perdeu longe para o marketing de “esse é um pequeno passo para um homem, mas um grande salto para a humanidade”. A primeira foi até copiada por um jornal de Porto Alegre, quando meu time, que tem essa cor, foi Campeão Mundial. Mas a segunda é muito melhor e eu gostaria de ter sido o autor dela. Tipo assim um ghost writer contratado.

Outro momento em que Buzz Aldrin perdeu a cabeça, ajudando ainda mais os autodenominados “Verificadores da Lua”, o grupo que segue acreditando e difundindo que tudo foi teatro, foi quando ele deu um soco em um entrevistador. Surpreendido em hotel em Beverly Hills, na Califórnia, pela pergunta direta sobre o fato que lhe fez Bart Sibrel, o astronauta explodiu e agrediu quem o questionava. Incrível é que o homem tinha 37 anos e 1,90 de altura, com 110kg. Buzz estava com 72 e era muito menor. Não houve revide e a polícia local não levou o caso adiante. O que sempre segue questionado, de tempos em tempos, é a seriedade ou não de uma missão tão improvável, com a tecnologia que tinham à disposição na época, mas que era tão oportuna e necessária de ser realizada. Ou de convencer todos de que fora.

10.03.2022

O bônus de hoje é outra vez duplo. Primeiro temos a fantástica Assim Falou Zaratustra, com a Orquestra Nacional de Lyon (França), sob regência do maestro Jun Markl. A música é um poema sinfônico de Richard Strauss, inspirado em tratado filosófico de Friedrich Nietzche. Ela integrava a trilha sonora de 2001: Uma Odisseia no Espaço, filme icônico de Stanley Kubrick. Depois é a vez de Fly Me To The Moon (Me Faça Voar Até a Lua), com a Stringspace Jazz Band. Um toque saudosista para concluir a postagem.

DICA DE LEITURA

Hoje estou indicando um box com três livros de George Orwell, um dos escritores mais importantes do século XX, por um precinho ridículo. Basta clicar sobre a imagem da caixa acima e vocês vão confirmar o que eu estou dizendo. São os fantásticos (1) 1984, (2) A Revolução dos Bichos e (3) Dentro da Baleia e Outros Ensaios.

George Orwell foi autor de romances, ensaios, críticas e artigos jornalísticos, com textos de fácil compreensão, inteligentes e críticos, apontando as injustiças sociais. Suas obras trazem oposição ao totalitarismo, o que as tornaram influentes na cultura popular, mas também na política. Nessa oferta está a essência do seu trabalho. Garanto que vale muito a pena. E a indicação é mais do que apropriada, depois de um texto que nos deixa em dúvida do que seja realidade e do que seja ficção.

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