Antes que o politicamente correto tomasse conta de tudo, não era nada incomum ocorrerem nas escolas certas provocações, com frases que eram feitas para se testar os limites de tolerância de colegas com relação a determinadas situações. Uma provocação ao nojo alheio, por exemplo, em especial quando feita na hora do lanche. Coisas como “Querida, vamos comer ferida? Ferida não me seduz, prefiro um copo de pus.” E uma alma sensível já gritava pela professora, entre uma e outra arcada ameaçando vômito, para o deboche dos demais. Vez por outra, isso rendia uma ida até a direção da escola para explicações.

É preciso que se destaque que, no nosso idioma, há duas distintas “escatologias”, palavras que são escritas exatamente do mesmo modo, embora tenham sentidos que diferem entre si. A mais usada e que tem entendimento comum mais fácil, em virtude disso, é o adjetivo escatológico que se refere a excrementos, sendo definida como “utilização ou gosto por assuntos referentes a fezes ou obscenidades”. Entretanto, existe um outro adjetivo escatológico que é derivado do substantivo escatologia, significando “teoria acerca das coisas que hão de suceder depois do fim do mundo; teoria sobre o fim do mundo e da humanidade”. O que talvez explique o fato daqueles nossos antigos professores acharem “o fim da picada” aquelas brincadeiras – e nem vou referir outras, para não chocar leitores mais impressionáveis. Ambas as definições citadas, por óbvio, retirei de dicionários.

O escatológico que se refere a fezes, também sendo usado em certas oportunidades para outras secreções humanas, é um termo que foi criado no Século XIX. Segundo consta, isso foi feito a partir da palavra grega skatós, traduzida como “excremento”. Já o escatológico que trata de questões teológicas, sobretudo o suposto juízo final, teria surgido na mesma época e também derivaria do grego. Mas aparece em função da palavra éskhatos, que pode ser traduzida como “último, extremo”.

Mas, por que as pessoas ficam repugnadas com a citação de algo que é absolutamente comum a todos? Quem de nós não tem meleca no nariz; cera no ouvido; não expele perdigotos ao espirrar; não sua em bicas após exercício físico muito exigente? Nem refiro urina e fezes que, ao contrário das quatro citadas antes, são diárias – a não ser que se esteja doente –, enquanto as anteriores são ocasionais. O organismo humano é uma máquina, em analogia, apesar de muitíssimo mais perfeita que quaisquer outras que a nossa inventividade possa ter produzido. Desse modo, precisa receber energia para seu funcionamento, dele resultando resíduos. Ar, água e alimento são nosso carvão, nossa energia elétrica, nossa gasolina. E esses combustíveis orgânicos uma vez “queimados” liberam líquidos, gases e substâncias pastosas.

Outra associação que muitas vezes foi feita, através da história, foi a dos excrementos com algo pecaminoso. Aquilo que de ruim existe em nós e que, por isso mesmo, precisa ser eliminado. Entretanto, isso não é primazia de povos europeus. Entre os astecas havia a adoração de uma deusa de nome Tlazolteotl, que significava “devoradora de detritos”. Isso porque essa divindade consumia pecados, enquanto exaltava o amor carnal e a fecundidade. Em algumas regiões da África, por sua vez, certos rituais especiais colocam os detritos como uma concentração de forças. O povo bambara, do Mali, costumava queimá-los e depois jogava as cinzas nas águas do Níger, como oferenda ao seu deus Faro, tido como “aquele que organiza o mundo”. Uma crença semelhante foi encontrada junto aos povos likubas e likualas, do Congo. Para esses, seria a restituição de forças vitais para a natureza. O completar do ciclo energético.

Por aqui – e não apenas naquele ambiente escolar, longe disso – não é por nada que se manda alguém à merda. A pessoa em questão, a qual achamos que merece isso, nos aviltou de alguma forma e recebe, como resposta, algo que verbalmente a avilta do mesmo modo. Por outro lado, a pequena cidade de Beaver, no estado de Oklahoma, nos EUA, é sede de um inacreditável Campeonato Mundial de Arremesso de Fezes. Mas, antes que você se enoje ainda mais com a postagem de hoje, acrescento dois detalhes: o primeiro, sem importância alguma, é que por lá muitas disputas em nível nacional eles costumam chamar de “campeonato mundial”, porque têm uma enorme dificuldade de ver o mundo existente além de suas fronteiras. O segundo, esse sim bastante importante, é que utilizam esterco bovino, nunca fezes humanas. O que não alivia em quase nada a enorme imundície que deve ser tal evento.

20.07.2022

O bônus de hoje é A Arte do Insulto, com a banda carioca Matanza. Ela surgiu em 1996 e durou até 2018, sendo que sempre ofereceu um som forte, mistura de heavy metal com hardcore punk. E uma das suas boas características está nas letras bem escritas e tão agressivas quanto convêm ao seu estilo.

DICA DE LAZER

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Crescer pode ser uma jornada turbulenta, e com Riley não é diferente. Ela é retirada de sua vida no meio oeste americano quando seu pai arruma um novo emprego em São Francisco. Como todos nós, Riley é guiada pelas emoções – Alegria (Amy Poehler), Medo (Bill Hader), Raiva (Lewis Black), Nojinho (Mindy Kaling) e Tristeza (Phyllis Smith). As emoções vivem no centro de controle dentro da mente de Riley, onde a ajudam com conselhos em sua vida cotidiana. Conforme Riley e suas emoções se esforçam para se adaptar à nova vida em São Francisco, começa uma agitação no centro de controle. Embora Alegria, a principal e mais importante emoção de Riley, tente se manter positiva, as emoções entram em conflito sobre qual a melhor maneira de viver em uma nova cidade, casa e escola. Essa é diversão garantida para adultos e crianças. E com uma mensagem interessante sobre comportamentos.

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