Em uma série de artefatos feitos em ouro, que foram encontrados na Colômbia muitos anos atrás e datam de um período próximo do ano 1.000 d.C., existem alguns que intrigaram sobremaneira os arqueólogos. São miniaturas, todas elas medindo entre 5 e 7,5 cm, com a maioria delas retratando peixes, insetos, lagartos, pássaros e anfíbios comuns naquela região. Mas vários têm formato que lembram representações de aviões modernos, de caça, ou de ônibus espaciais. Essas são as únicas figuras que destoam, uma vez que não havia – ou não deveria haver – o modelo real que mobilizasse a criatividade de quem elaborou as peças.

Esses artefatos estão todos no Museu do Ouro, em Bogotá, tendo sido confirmado que foram produzidos por índios da cultura quimbaya, habitantes da região de Tolima. Eles estavam em uma antiga tumba, na floresta colombiana, tendo sido encontrados no final do século XIX. Os que representam animais são extremamente precisos, então se pode deduzir que esses outros, os misteriosos, também deveriam ser. Acontece que eles têm a asa traseira vertical e os dois estabilizadores, que nenhuma ave ou quaisquer insetos possuem, mas são características comuns às construções modernas, necessárias para o voo propulsionado.

Especialmente admirados com isso, os alemães Peter Belting e Conrad Lubbers, em 1994, tentaram colocar à prova se tais objetos poderiam voar. Para testar sua aerodinâmica, criaram modelos exatos daquelas miniaturas, em proporções muito maiores e adicionando motores. Ou seja, fizeram aeromodelos tendo como base aqueles pré colombianos feitos de ouro. E eles tiveram um comportamento exemplar, voando com desenvoltura e até mesmo realizando manobras aéreas. Ou seja, os dois provaram ser muito provável que de fato fossem objetos voadores que inspiraram os artesãos. Só que eles não existiam, naquela época.

Foi cerca de nove séculos depois, em 1906, que o brasileiro Santos Dumont conseguiu tirar do solo um objeto mais pesado do que o ar, em Paris. Já o motor a jato foi desenvolvido quase que simultaneamente pelo inventor inglês Frank Whittle, em 1928, e pelo alemão Hans von Ohain, em 1930. Antes deles, em 1926, o engenheiro inglês Alan Arnold Griffith já havia publicado um artigo com suas teses sobre a possibilidade da construção de turbinas e compressores. Este último também ficou conhecido por ter escrito sobre a fadiga dos metais.

Os artefatos pré-colombianos também tinham outros detalhes de fato surpreendentes, como ranhuras que poderiam ser interpretadas pela engenharia moderna como sendo de metal corrugado, estruturas em viga para sustentação das partes do suposto “avião”. E as asas em formato de delta são essenciais para que ocorra deslocamento em velocidades supersônicas. Nessas há, inclusive, desenhos que parecem insígnias, algo muito comum nos aviões militares da atualidade. O que difere um pouco dos modelos mais atuais é a entrada de ar, que parece um tanto estranha. Mas uma pesquisa das mais rudimentares consegue mostrar que um dos primeiros aviões a jato, o Heinkel-162, que foi construído em 1944, tinha um similar.

A questão é que não existe uma resposta satisfatória para esse mistério. Quem fez a miniatura em ouro, estava tendo uma visão do futuro ou vendo algo concreto no seu tempo? Se o modelo estava presente, de onde veio? E também pode ser tudo uma simples coincidência, uma manifestação artística dissociada de qualquer referência. Mas, nesse caso, por que todas as demais peças não seguiam essa lógica?

07.06.2021

Duas das miniaturas encontradas
Os modelos em escala voaram normalmente

No bônus de hoje, o Grupo Putumayo apresenta a música Danza Quimbaya, da tradição do povo indígena colombiano que criou as miniaturas misteriosas. Ela está no DVD Herencia, lançado em 2013.

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