Um documentário ainda sem versão oficial em língua portuguesa pode e deve ser visto no YouTube, que oferece a possibilidade de uma tradução automática para o nosso idioma. Por mais imperfeita que possa ser – e muitas vezes ela é –, com certeza irá permitir o entendimento do grave assunto que ele aborda. Me refiro a End Game 2050 (Fim do Jogo 2050), que foi escrito e dirigido por Sofia Pineda Ochoa, uma médica mexicana natural de Guadalajara, que reside em Houston, no Texas, EUA.

Segundo Sofia, depois de mais de uma década trabalhando na faculdade de medicina, no treinamento de futuros profissionais, sua perspectiva mudou. Isso ao se dar conta de que outro doente, esse terminal, estaria precisando de sua atenção. Se referia ao planeta: a Terra será inabitável muito em breve, no seu entender, não apenas para os humanos, mas para inúmeras outras espécies. Tal situação é decorrente das ações do homem, o que é um crime como nenhum outro entre tantos que já se pratica.

End Game 2050 tem a duração de 1h32 minutos. Ao longo desse tempo mostra que em apenas três décadas poderemos estar numa situação irreversível. O que significa que a reação precisa ser imediata, inadiável. Sofia afirma que muitos outros filmes que fazem abordagens ambientais mascaram a realidade, mesmo tendo boa intenção, talvez porque não queiram deixar as pessoas demasiadamente desconfortáveis. Mas, no entender dela, esse é um equívoco, um desserviço. Com sua obra, a estudiosa prefere expor claramente a situação na qual nos encontramos. Explica que, de outro modo, estaria também “enterrando a cabeça na areia”, como fazem os avestruzes, ave não voadora originária da África, diante do perigo. Na verdade, essas aves preferem primeiro tentar a fuga, pois são ótimas corredoras.

Como hoje é o Dia Mundial do Meio Ambiente, se torna especialmente apropriada a sugestão de vermos o documentário. Lembrando, é claro, que tal data não foi instituída com fins comemorativos. A ONU resolveu propor isso durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, que ocorreu em 1972, em Estocolmo, Suécia. O objetivo claro era chamar a atenção da população mundial sobre a importância da preservação dos recursos naturais. Por incrível que possa parecer, boa parcela das pessoas imaginava – e talvez ainda imagine – que tais recursos são inesgotáveis. Portanto, se tornava imperioso um grande esforço para que se mudasse a forma de ver e de tratar as questões ambientais. Além disso, houve compromisso de providências coletivas, essas ainda longe de serem adotadas, na busca de princípios gerais de orientação e de estabelecimento de uma política global, no que se refere a esse assunto.

O documentário aborda questões como a superpopulação, o abuso da pecuária e seu elevado custo ambiental, o uso excessivo do plástico e a destruição acelerada de habitats. Na sua introdução é utilizado o trabalho de atores e locações especiais, como se fosse um episódio televisivo futurístico. Uma técnica de dramatização para tornar o texto não apenas informativo, mas prendendo a atenção do mesmo modo que acontecem com novelas – programas muito populares, tanto no México quanto no Brasil. Destaque para a participação de Richard Melville Hall, cantor, DJ, músico e fotógrafo dos EUA, conhecido como Moby. O apelido vem da obra literária Moby Dick mesmo, que foi escrita pelo seu tio-tetravô Herman Melville.

Do mesmo modo que Richard, Sofia também é vegana. Ambos afirmam que o consumo de carne tem relação direta com a destruição ambiental. E fica fácil concordar com isso, quando se vê a Amazônia sendo destruída para que a densa floresta seja substituída por pasto. Mas basta fazer um cálculo matemático simples para se comprovar que, com uma população de 8 bilhões de almas, não se consegue alimentar o mundo todo com esse produto, nem aniquilando o meio ambiente inteiro.

Por fim, a diretora deu entrevistas nas quais voltou a enfatizar que a própria Covid19 é decorrência do descaso humano com o planeta, o qual não podemos “usar e jogar fora”. E que esse vírus teve origem animal, provavelmente tendo se propagado a partir de morcegos. Do mesmo modo que as gripes aviária e suína, como a doença da vaca louca, como o HIV que é associado a macacos. Assim continuará sendo, conclui ela, enquanto não aprendermos a ter respeito pela vida e pela natureza.

05.06.2021

No bônus de hoje a música Terra, de Caetano Veloso. Logo depois está posto o link de acesso ao documentário End Game 2050. Pela duração de mais de hora e meia, convém copiar e ver quando houver tempo para dedicar a ele a atenção necessária.

3 Comentários

  1. I put a link to the Endgame video on my own blog when it first caame out. The situation regarding population numbers is very worrying but still there remains the difficulty of convincing EVERYONE that smaller families will help to save the planet, our only home! I even wrote to my Member of Parliament but I got the impression that they weren’t interested! 🙏

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  2. Obrigado por falar sobre a ameaça existencial da humanidade. Concordo com Sofia que “muitos outros filmes que fazem abordagens ambientais mascaram a realidade, mesmo tendo boa intenção, talvez porque não queiram deixar as pessoas demasiadamente desconfortáveis.” Meus próprios filhos não gostam quando falo sobre o que os espera nos próximos anos.

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  3. Um alerta que precisa ser repetido à exaustão, ainda mais no nosso país. Só não vi os bônus. Irei ouvir e ver.

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