Os seres humanos podem morrer com qualquer idade que tenham: basta estarem vivos para que corram esse risco constantemente. De fato, essa possibilidade sempre se confirma um dia e até hoje não se sabe de caso algum em que ela não tenha ocorrido. Mas, estatisticamente, não há razão para se considerar entre adultos um ano específico da sua idade para que isso tenha mais chance de acontecer. Com algumas exceções, é claro. Em épocas de conflitos militares, por exemplo, se perde mais jovens do que a média registrada em tempos de paz. Na pandemia de agora, se tornou ainda mais provável a perda de idosos. Pelo menos era assim que ela vinha se comportando no início, mas seu perfil foi aos poucos mudando. Não levando em conta apenas pessoas em idade adulta, se sabe que em locais com pouca ou nenhuma assistência médica, a mortalidade infantil tende a ser maior. Mas que outra explicação se encontraria, além de uma coincidência bem macabra, para que tantos músicos e cantores profissionais tenham nos deixado, ao longo da história, ao completar 27 anos?

Como esse fenômeno já foi notado por muitas pessoas, se encontram com facilidade na internet referências ao que chamam de Clube 27. Foi então que decidi conferir essas citações todas. E encontrei mais de 60 casos de óbitos, pelas mais diversas razões, que de fato aconteceram nessa idade fatídica. Comprovei a veracidade, sem sequer me aproximar de alguma explicação plausível. Não teria mesmo como ter tal pretensão. Melhor lembrar que o filósofo, físico e matemático francês Blaise Pascal já havia afirmado, ainda no Século XVII, que “há razões que a própria razão desconhece”. E, na verdade, a frase original não é bem essa, pois ele teria feito essa referência em relação ao coração, o órgão do corpo humano ao qual sempre se atribui ligação com os sentimentos, numa contrapartida ao cérebro. E disse isso para mostrar sua oposição ao racionalismo puro.

Sem sentimentalismos, vamos lembrar de alguns desses famosos que foram embora no auge da vida e do sucesso. Jimi Hendrix, talvez o mais genial guitarrista de todos os tempos. Kristen Pfaff, uma baixista que passou por diversas bandas, mas ficou conhecida na Hole, ao lado de Courtney Love. Brian Jones, guitarrista fundador dos Rolling Stones. Dave Alexander, baixista do The Stooges. Amy Winehouse, cantora inglesa dona de uma voz poderosa. D.Boon, vocalista e guitarrista da banda Minutemen. Pete Ham, compositor e vocalista do Badfinger, grupo do País de Gales, que era apadrinhado pelos Beatles. Janis Joplin, cantora texana de rock, blues e soul que foi a maior expressão feminina dos anos 1960. Kurt Cobain, vocalista fundador da banda grunge Nirvana. Jim Morrison, vocalista da banda The Doors. Richard Turner, membro da banda inglesa de indie rock, Friendly Fires, onde era trompetista e compositor. Ron “Pigpen” McKerman, vocalista e tecladista da banda Grateful Dead. Les Harvey, guitarrista escocês que integrava a Stone the Crows.

Citei 13 deles de propósito. Afinal, esse número também está ligado a muita crendice e superstição. Agora, para acrescentar mais “molho” na mesma história, vou incluir outros famosos que também se despediram aos 27, mesmo nunca tendo composto ou cantado nada, ou sequer tocado algum instrumento musical – talvez a maldição seja bem mais extensa do que se imagina. Anton Yelchin, ator que participou do elenco de Star Trek. Jean-Michel Basquiat, grafiteiro que chegou a trabalhar com Andy Warhol. Sahara Davenport, famosa drag queen norte-americana. Andrés Escobar, zagueiro da seleção colombiana. Reggie Lewis, estrela do basquete que jogava pelo Boston Celtics. Leila Diniz atriz brasileira. Aaron Hernandez, jogador do New England Patriots. Pronto: inclui mais sete porque esse é outro número que suscita interpretações.

Quanto a mim, não tive motivos para me preocupar com isso tudo, aos 27 anos, porque nunca me destaquei em nada. Mas, por via das dúvidas, vou pensar nesses dois números quando atingir meus 72, o que é uma idade razoável, mas menor que a expectativa de vida por aqui, que já chegou aos 75. Felizmente ainda falta um bom tempo.

17.10.2020

No bônus musical, Amy Winehouse cantando Back to Black.

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