Prepare-se! Estamos outra vez num período de campanha eleitoral e a tendência é que você seja bombardeado(a), nos próximos dias, com um volume crescente de notícias falsas. O objetivo óbvio será convencer você sobre as qualidades de certos candidatos ou sobre os defeitos de outros. Ou seja, vão querer direcionar o seu voto outra vez. Evidente que, em função de pelos menos três fatores, não haverá dessa vez o tsunami que ocorreu e foi decisivo na eleição presidencial de dois anos atrás: interesses diluídos nos municípios e não concentrados numa majoritária nacional; campanha mais curta; e alterações na estratégia, causadas pela pandemia. Mas, independente da força que tenha esse recurso, desta vez, cada um de nós deve estar mais atento para garantir o exercício real da democracia. E existem recursos para identificar as chamadas fake news, minimizando seus efeitos. Algumas destas ferramentas de defesa estarei listando abaixo.

Me refiro a plataformas de checagem que a web oferece. Ou seja, se pela internet tentam fazer de você alguém que não apenas assimila, mas também difunde as mentiras de interesse dos seus produtores, também por ela se pode encontrar o contraveneno. Assim WhatsApp, Facebook e Instagram terão menor peso nas escolhas de quem irá governar nossas cidades, nos próximos quatro anos. E servirá esse momento como um treino importante para que em 2022 o próximo presidente seja escolhido por eleitores de verdade e não por marionetes.

Minha primeira sugestão é o Fake Check, uma plataforma criada por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Seu diferencial é fazer uso de tecnologia que analisa características da escrita e funciona tanto na web como através de um bot do WhatsApp, número (16) 98821.2457. No primeiro caso, acesse com nilc-fakenews.herokuapp.com. A segunda opção é a mais conhecida de todas, sendo iniciativa da CBN, Época, TV Globo, Extra, Valor Econômico e GloboNews. Falo da Fato ou Fake (g1.globo.com/fato-ou-fake). Os jornalistas buscam verificar conteúdo suspeito encontrado nas notícias mais compartilhadas da internet. Para tanto, checam as falas de políticos nos debates programados, em entrevistas concedidas e sabatinas. Cada informação por eles repassadas recebe um dos três selos básicos: fato, fake ou não é bem assim. Recebem denúncias na página do Facebook, onde também há um bot que aponta de imediato a situação, caso aquele assunto já tenha sido verificado. E usuários cadastrados podem interagir via WhatsApp.

Mais uma alternativa para você: Aos Fatos (aosfatos.org). Essa é uma agência filiada ao International Fact-Checking Network (IFCN), com jornalistas preparados para verificar fontes e catalogar as informações como verdadeiras, imprecisas, exageradas, distorcidas, contraditórias, insustentáveis ou falsas. Interessante é que também aceitam denúncias no Facebook e no Twitter, bastando para isso marcar os posts com hashtag (#vamosaosfatos). E também é possível enviar as matérias direto pelo site. E uma quarta possibilidade é o Comprova (projetocomprova.com.br). Ele está constituído por profissionais de imprensa de 28 veículos diferentes, que atuam numa espécie de consórcio. Seu objetivo é encontrar e denunciar informações que sejam “enganosas, inventadas ou deliberadamente falsas”, buscando ainda esclarecer inclusive os fatos relacionados às eleições de 2018. Podem checar rumores, declarações e quaisquer especulações que tenham projeção nos meios virtuais. Para tanto, estão preparados para apurar textos, verificar gráficos e manipulação de fotos e vídeos. Usuários podem fazer denúncias via Facebook, Twitter ou pelo WhatsApp, havendo na página direcionamento para esse último.

Hoje me limito a essas quatro alternativas, mas existem outras e provavelmente eu possa detalhar alguns destes caminhos, em nova postagem. Agora, nada substitui o bom senso. Nossos avós costumavam dizer ser perigoso ter o coração muito perto da boca: havia o risco de se dizer alguma besteira impensada. Hoje é recomendável não se ter dedos nervosos, loucos para digitar nos celulares e computadores, com uma responsividade instantânea que pode ser irresponsável. Qualquer precipitação que conduza a erros pode ter uma repercussão imensa nas nossas vidas e dos nossos filhos. E isso tenho certeza que nenhum de nós deseja.

09.10.2020

Bônus: Clip de Fake News, uma excelente paródia feita sobre a música Paciência, de Lenine. Quem canta é o ator, roteirista e diretor Marcelo Laham, com gravação feita em São Paulo.

1 Comentário

  1. Infelizmente uma parcela da população repassa fakes, sem se preocupar em checar. Quando se trata de política, lamentavelmente a coisa piora bastante! Sou a favor de que sejam punidos, todos os propagadores dessa grande praga! Parabéns por abordar este tema! Grande abraço!

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