Não aconteceu nenhum problema com o teclado do computador. Nem com as minhas faculdades mentais, se bem que quanto a essas não posso nunca afirmar nada categoricamente. Essas letras, um tanto desconexas, que dão título à crônica de hoje referem o nome de um time de futebol de salão – assim era chamado antes o futsal – que eu e alguns amigos tentamos fundar, no milênio passado, em Porto Alegre. São as iniciais de O Guaíba Já Foi Azul Futebol Clube, que foi planejado para usar uma inédita camisa marrom, cor sujeira mesmo. A pronúncia era “ogêjótafafuc”. Ele não deu certo. E a despoluição do nosso lindo lago, também não até agora.

De tempos em tempos a Prefeitura de Porto Alegre realiza algumas ações programadas, no sentido de defender um pouco as águas e as vidas que delas dependem. Uma das que se repetem, devido ao desrespeito de muita gente, é a de limpeza do nosso Arroio Dilúvio, que percorre toda a Avenida Ipiranga e deságua no Guaíba. Atualmente isso está outra vez acontecendo, com os trabalhos tendo iniciado em 2022. Dias atrás eu fiquei sabendo que mais de mil pneus foram retirados de apenas um dos trechos. Não há engano: foram mais de mil mesmo. Considerados outros trabalhos de desassoreamento, segundo relata a administração pública, foram cinco mil deles, no total. Isso que eles não vieram sozinhos, mas acompanhados de colchões, sofás, roupas, garrafas pet e até fogões. Sacos plásticos e lixo doméstico são em volume inimaginável.

No caso dos pneus, especialmente, isso fica quase que inexplicável. Isso porque esse é um dos produtos que têm logística reversa. Ou seja, no momento da troca o velho fica no local, para uma posterior destinação adequada. Mas, talvez a explicação esteja nesse fato: deve existir quem faça despejo em larga escala, usando transporte com caminhões, por exemplo. Quanto ao trabalho que está sendo feito, o ponto mais crítico é junto à foz do Dilúvio, no seu encontro com o lago. O preço disso termina sendo pago pelo contribuinte, inclusive sendo rateado entre aqueles que estão causando o problema. Se esses não estão preocupados, talvez os demais devam ser lembrados desse fato, para que ajudem na necessária fiscalização. O custo de agora ultrapassa R$ 12 milhões.

Se nada fosse feito, seriam terríveis os alagamentos quando ocorressem tempestades. Isso sem contarmos com o agravamento da poluição do Guaíba, que é de onde se retira água para consumo da população de Porto Alegre. O que acontece é que o retrabalho não cessa: quando as equipes concluem o serviço já está no momento de ele ser recomeçado. A cidade tem vários outros arroios, além desse que é o mais conhecido. E também faz limpeza nos demais. No último ano, o volume do que foi retirado daria para preencher 160 piscinas olímpicas. Claro que sem a possibilidade de se nadar em quaisquer delas.

A ocupação de áreas não regularizadas, a falta de educação, o descaso da fiscalização, tudo se soma para esse resultado estarrecedor. No caso das residências irregulares, seria necessário um plano sério e de longo prazo, para enfrentamento. Isso iria requerer investimento para remoção e colocação dessas populações em áreas mais dignas. Quando se trata de educação, se faz necessário cobrar ação conjunta dessa área, com informação e formação de mentalidade desde as crianças mais novas. E acreditar que algum governo cuide da prevenção, das causas dos problemas ao invés de suas consequências, é quase que uma utopia. Algo tão difícil quando nos reunirmos outra vez, com nossa avançada idade atual, eu e aqueles amigos, para refundar o Ogêjótafafuc.

21.01.2023

É isso que o povo civilizado, o “cidadão de bem”, está fazendo com o Lago Guaíba

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2 Comentários

    1. O pessoal da prefeitura é ótimo, por exemplo, para multar quem passa do tempo pago para uso do estacionamento rotativo. Para outras atividades, bem mais danosas ao conjunto da sociedade, não são assim tão ágeis.

      Curtido por 1 pessoa

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