A FORÇA DE UM ABRAÇO

Consta que a duração média de um abraço é de apenas três segundos. Não consigo imaginar quem ficou fazendo essa medição de tempo, mas existem publicações que garantem ser isso mesmo. Entretanto, pesquisadores disseram que esse tipo de manifestação breve de afeto serve apenas como cumprimento. E que outros abraços, quando mais duradouros, conseguem trazer o benefício de uma terapia. Quando eles ultrapassam os 20 segundos, por exemplo, fazem bem enorme para o corpo e para a mente das pessoas. Isso porque ele, sendo sincero, ajuda na produção de um hormônio chamado oxitocina. Não por acaso, essa substância também tem um apelido muito expressivo: hormônio do amor.

A oxitocina é um neurotransmissor natural que nosso organismo produz, pelo hipotálamo, no cérebro. Isso acontece em alguns momentos muito especiais, como quando se faz sexo, durante o parto e na amamentação. Ele seria o responsável pelo estabelecimento de vínculos e por permitir um expressivo relaxamento. Ocorre o mesmo quando se faz massagem. No caso dos abraços, já estaria disponível em quantidades suficientes para acalmar, dar uma sensação de proteção e segurança, combater ansiedade e medos em geral. E o mais incrível de tudo isso é que esse “remédio” não precisa de uma receita médica, não se busca em farmácias e não custa nem um tostão.

Um abraço é elo físico com consequências emocionais. Ou seria um elo emocional com consequências físicas? Num ou noutro sentido, o que flui são energias boas. A gente abraça amigos e amores, filhos e filhas, tantos parentes e vez por outra até estranhos. Que o digam vizinhos de cadeira, nas arenas esportivas, quando o time da gente faz um gol. Claro que esses não duram os segundos aqueles programados, mas a euforia vem igual de outra fonte, lá do gramado ou da quadra. Abraços em reencontros são especiais. E às vezes abraçamos alguém que se está conhecendo na hora. O abraço é hábito mundial, se bem que muito mais latino, de lugares onde há mais sangue e sol.

Na literatura, muitas vezes se lê sobre o abraço da morte e esse deve ser um dos poucos que ninguém quer. Também o gesto se torna expressão, nos momentos em que se abraça uma causa. Ou uma profissão. Abraços falam, podendo dizer “eu estou aqui”, “conta comigo”, “eu te amo”. Eles podem não ser solução, mas apontam caminhos, dão esperança, são a mais singela manifestação de afeto. E sejam quais forem, causam efeitos. São carinho e aconchego, são calor humano. Podem ser quase divinos. O melhor abraço é o que se dá ou recebe bem naquele momento necessário. O pior é o que ficou no desejo, na intenção. Nesse último caso, resta abraçar a saudade ou o arrependimento. Enfim, sempre é tempo de um bom abraço. Eu me sinto abraçado cada vez que esses meus textos são lidos. Duas vezes abraçado, quando vem de volta um comentário. No mais, segue a vida como seguia antes de que eu tivesse descoberto o que vem a ser a tal oxitocina que, arrisco a dizer, faz efeito até na alma.

27.10.2021

Abraços são humanos. Abraços são divinos

No bônus musical de hoje, a muito apropriada Dentro de Um Abraço, da banda mineira Jota Quest.