Logo mais à noite o Brasil estará enfrentando a Escócia pela quinta vez, em jogos válidos por mundiais. Apenas um outro selecionado foi nosso adversário um maior número de vezes: a Suécia, com sete confrontos. Nas quatro vezes anteriores nas quais nos cruzamos, os escoceses só conseguiram um empate em 0x0 na Alemanha, em 1974. Nas Copas do Mundo de 1982 (Espanha), 1990 (Itália) e 1998 (França), os vencemos em todas. Os placares foram 4×1, 1×0 e 2×1, nessa ordem. Desta vez, quem vencer confirma matematicamente vaga para a próxima fase. Algo que a Escócia até hoje nunca conseguiu. Mas até o derrotado poderá alcançar isso, dependendo da combinação de outros resultados.

Como curiosidade, a Scottish Football Association (SFA) é considerada a segunda federação de futebol mais antiga do mundo. Foi fundada em 1873, exatos dez anos depois da inglesa. E antes mesmo de oficialmente existir, um selecionado seu participou daquele que é reconhecido como o primeiro jogo internacional oficial da história. Foi em 30 de novembro de 1872, em Glasgow, no Hamilton Crescent. O público estimado de quatro mil espectadores acompanharam o 0x0 entre atletas do Queen ‘s Park FC e outros clubes locais, que receberam a Seleção Inglesa. Cinco meses depois, a estrutura nacional recebia a documentação que a constituía.

Longe de estar entre as maiores potências deste esporte – atualmente é a 43ª do ranking da FIFA – ela está pela nona vez disputando uma Copa do Mundo. E conseguiu fazer isso em cinco consecutivas, entre 1974 e 1990. Além disso, ao longo desse tempo consolidou sua torcida como sendo uma das mais peculiares. Não devido aos resultados de campo, é evidente. Mas por seu comportamento pacífico e rara simpatia. Ela tem o costume de acompanhar o selecionado sempre, apesar das perspectivas nunca lhes serem favoráveis. Os Tartan Army (Exército do Tartan), como são conhecidos, devido ao tecido xadrez tradicional usado nos seus kilts, em geral estão alegres e convivem bem com os rivais. Mais do que isso, participam dos eventos locais por onde andam. E claro, consomem um volume considerável de cerveja, sem que isso os associe a quaisquer confusões mais graves.

Durante a Eurocopa de 1992, disputada na Suécia, e na Eurocopa de 1996, na Inglaterra, os escoceses receberam prêmios de fair play que são concedidos pela UEFA. Talvez porque se tornou comum vê-los cantando e festejando, mesmo após eliminações. Existe inclusive uma frase bastante conhecida associada a eles: We’re here for a good time, not a long time (Estamos aqui para nos divertir, não para ficar muito tempo). A brincadeira faz referência justamente ao fato de a Escócia sair cedo em todos os grandes torneios.

Agora, que não se espere facilidade para o Brasil, no jogo de hoje. Isso principalmente devido ao fato de que há muito nosso selecionado deixou de ter grandes times, de ser protagonista. Some-se a esse retrospecto recente muito ruim, ainda termos perdido alguns titulares por lesão, antes mesmo da Copa começar – e mais Raphinha, no último jogo – e se pode prever alguma dificuldade. Os escoceses, se lhes falta um maior apuro técnico, têm estatura e força, deixando em campo toda a sua disposição.

Se o selecionado canarinho ao menos demonstrar raça semelhante, se pode ter alguma satisfação de ver a partida. Mesmo que distante daquela que temos tido vendo o desfile de craques com outras cores nas suas camisas, como Messi, Mbapeé, Lamine Yamal, Harry Kane, Cristiano Ronaldo e Haaland. Vejamos o que a noite nos reserva.

24.06.2026

P.S.: A ilustração desta crônica foi criada pelo autor, utilizando recursos de Inteligência Artificial. 

O bônus de hoje é a música Highland Cathedral. Curioso é que, apesar de muita gente imaginar que seja uma canção secularmente antiga, ela foi composta em 1982 pelos alemães Michael Korb e Ulrich Roever. E acabou sendo adotada pelos escoceses como uma espécie de hino não oficial. Essa gravação foi feita em Roterdam, na Holanda, em março de 2023.


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