Desde 2001, o ano que abriu o atual milênio, considerando-se suas participações no Brasileirão, Grêmio e Internacional ficaram 18 vezes entre os quatro melhores classificados, ao final da competição. Esse número está sendo aqui usado como referência por ser aquele que era antes tomado como base para garantir vagas na Copa Libertadores da América. Foram 11 vezes o tricolor e sete o colorado. E o melhor dos desempenhos conjuntos ocorreu em 2006, com o Internacional sendo vice e o Grêmio terceiro. Nos últimos anos, no entanto, a dupla grenal tem se notabilizado pela frequência assídua na parte baixa da tabela.
São muitas as razões para essa derrocada, sendo evidentemente a maior delas a técnica. Há muito não temos atletas realmente de ponta vestindo nossas camisetas. E nas raras vezes em que isso acontece é em número insuficiente e por pouco tempo. Isso porque a necessidade financeira fala mais alto e acelera vendas dos promissores. A diferença se torna gritante, quando se compara nosso poder aquisitivo com os de Flamengo e Palmeiras, por exemplo. Mas, apesar de em outros tempos ela ter sido menor, a verdade é que sempre existiu, devido ao fato de os mercados carioca e paulista serem mais ricos.
Isso termina por escancarar o maior dos problemas, que é comum para nossos dois maiores clubes. Me refiro à incapacidade administrativa, à mediocridade gerencial. Houve momentos em que as receitas provenientes das transmissões pela televisão cresceram muito. Então, tanto Grêmio quanto Internacional acreditaram que poderiam gastar os tubos para teoricamente qualificar seus elencos, sem considerar riscos futuros. Pior: passaram a trazer atletas em final de carreira, que vieram aqui buscar um último contrato gordo, uma aposentadoria. Jogadores já sem ambição no lado de dentro do campo, mas apenas aquela que está associada à tesouraria ao final de cada mês. Com isso, as folhas de pagamento se aproximaram daquela dos dois times que já citei, sem correspondência em recursos técnicos à disposição dos treinadores.
No Grêmio, uma figurinha carimbada conseguiu institucionalizar a expressão “comigo ele joga”, empilhando envelhecidos e acomodados ao receber poder decisório além da conta. No Internacional, que abandonou suas categorias de base, até ex-dirigentes acabaram condenados por desvio de recursos. E tudo começou a crescer como rabo de cavalo: em direção ao chão. Os dois clubes iniciam todos os anos disputando a primazia no território gaúcho, ao disputar o regional – que geralmente um dos dois acaba ganhando. Depois, passam o restante do tempo sonhando com uma vaga em competições sul-americanas, no máximo.
Agora, em 2026, parece que estamos atingindo o ponto mais baixo dessa fase descendente. Grêmio e Internacional ambicionam apenas escapar do rebaixamento. E, glória das glórias, será conseguir isso ao mesmo tempo em que o rival fracasse na mesma tentativa. Entretanto, já não se pode descartar que ambos terminem morrendo abraçados. Isso seria a maior vergonha de todos os tempos. Coisa de várzea mesmo.
Aliás, vergonha temos passado até mesmo fora do campo. E elas não são poucas. Essa semana mesmo tivemos mais uma prova. Algo realmente inacreditável. O zagueiro colorado Victor Gabriel estava sendo julgado no Superior Tribunal de Justiça Desportiva, no Rio de Janeiro. O motivo era sua expulsão com cartão vermelho direto, ocorrida em recente partida contra o Cruzeiro, no Beira-Rio. Por jogada violenta – que sinceramente custo a acreditar que tenha sido proposital –, ele quebrou a perna de um adversário. Eis que os advogados do Internacional tentam usar como prova de que o lance não teria sido assim tão grave, a gravação do áudio do VAR. Só que a apanharam na Internet e se tratava, na realidade, de uma paródia, de um esquete de humor.
O atleta foi condenado a seis jogos de suspensão, mais afastamento dos gramados pelo tempo em que o adversário levar para voltar aos treinos, sendo esse prazo máximo de seis meses. A pena maior prevista para esse tipo de situação. E que foi agravada, institucionalmente, pelo chiste, pelos memes, pela piada pronta que a situação gerou. Não é nada fácil mesmo a gente descobrir que, em termos do futebol gaúcho atual, nem o rebaixamento é o fundo do poço.
30.07.2026
P.S.: As ilustrações que acompanham essa crônica foram criadas pelo autor, utilizando recursos de Inteligência Artificial.


O bônus de hoje é Adios Nonino, de Astor Piazzolla. Nada melhor do que um tango, música que se caracteriza por ser dramática, para ilustrar essa crônica. Neste caso específico, a letra foi escrita logo após o autor receber a notícia da morte de seu pai. Feita para bandoneón, ela oscila entre momentos de contenção com explosões de fúria e desespero. O vídeo foi feito em apresentação de Piazzolla com a Sinfônica “Cologne Radio Orchestra”, da Alemanha.
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Independentemente de qualquer coisa, nunca vi uma situação tão constrangedora da dupla Grenal como agora em 2026! É bem possível que tenhamos Grenal na série B do ano que vem! E também é muito provável que nos próximos anos Flamengo e Palmeiras sigam papando todos os títulos que disputarão! É triste e lamentável a situação da dupla atualmente!!!
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