O FIM DA FESTA FUTEBOLÍSTICA

Estão definidas as duas seleções que disputam amanhã a terceira colocação, bem como as duas que no domingo definem campeã e vice da Copa do Mundo de 2022. Neste sábado a Croácia pega pela frente um inacreditável selecionado de Marrocos, que cedeu de modo caro e injusto a derrota para os franceses. No domingo, a Argentina busca seu terceiro título, do mesmo modo que a França. Sem dúvida, dois entre os que figuravam desde o início como favoritos confirmaram e estão agora diante da “glória eterna”, como gosta de proclamar a Conmebol para a sua Libertadores da América, que é grande, mas seguramente menor do que uma Copa. Ela que é uma das confederações que agora estão representadas na decisão, sendo a outra a poderosa UEFA.

Marrocos está sendo na Copa o que o Brasil pensa que é: um time. A camisa verde-amarela, que nos últimos anos andou sendo conspurcada não exatamente pelo que desempenhou em campo – apesar de neste território também andar falhando –, não abrigou atletas que atuassem em conjunto, com ideal comum. Isso ficou muito evidente, termos bons jogadores tecnicamente, mas sem comprometimento com o conjunto, com a nação que representam. As preocupações da maioria dos escalados pareciam ser os cortes e a tintura dos cabelos, bem como o ensaio de dancinhas coreografadas para quando marcassem gols.

Sobre os tentos, também é bom que se destaque, vieram em baixíssimo número desta feita. Apenas oito em cinco jogos. Somente contra uma frágil Coreia do Sul eles foram capazes de marcar em bom número, o que equivaleu à metade do total. Outro detalhe: percebam que também só metade deles foram bonitos ou resultaram de uma jogada combinada, com lucidez e conjunto. O segundo contra a Sérvia e o único contra a Suíça – de Richarlyson e Casemiro, nessa ordem –, na primeira fase. E depois o terceiro contra a Coreia, também de Richarlyson, tiveram uma plasticidade digna de um selecionado que era apontado como um dos melhores. Tá bem, vou me render a contragosto em relação ao que Neymar fez contra a Croácia. Ele é um babaca, mas tem uma habilidade com as pernas que supera em muito a sua capacidade de entender minimamente a vida.

Claro que outras seleções também decepcionaram. A Itália nem ao menos se classificou, caindo diante da Macedônia do Norte, que muita gente nem sabia que existia. No Catar, Alemanha, Bélgica, Uruguai e Dinamarca não passaram da fase de grupos. Nas oitavas foi a vez da Espanha. Nas quartas, Brasil e Portugal, em tese melhores do que os seus adversários, não conseguiram ir adiante. Holanda e Argentina, assim como Inglaterra e França, eram jogos nos quais qualquer um mereceria, pelo peso das camisas, conquistar as vagas.

Neste sábado teremos o ímpeto marroquino contra a frieza fascista de vários dos croatas que estarão em campo. No dia seguinte, o mundo deve parar para ver o tira-teima entre Messi e Mbappe, os dois principais protagonistas desta Copa. Será a última do argentino, que até hoje não venceu nenhuma; está sendo a segunda do francês, que conseguiu vencer a anterior. Interessante é que os dois jogam juntos no PSG, que é uma das tantas propriedades do emir do Catar, atual anfitrião desta que é a maior festa futebolística mundial.

Meu coração baterá com mais força pelas seleções que eu torci, durante as semifinais, que chegassem para decidir. Vou de Marrocos e também de Argentina. Essa última, sem nenhum constrangimento. Ao contrário, a rivalidade que supostamente existe é um produto supervalorizado pela imprensa, interessada no rendimento do assunto. Mas eles são nossos vizinhos, são amigos, são latino americanos. Não vejo um motivo sequer para que fique melhor uma potência europeia sair vitoriosa. Por razões que se assemelham, espero que a África faça história e consiga pela primeira vez em 22 edições chegar entre as três primeiras colocadas. Será uma espécie de “medalha de bronze”, que valerá quase que como ouro para aquele continente. Para o Brasil, sigo com esperança que mais esse fracasso sirva, de uma vez por todas, para que se diminua essa presunção, essa arrogância de se achar melhor que todos e capaz de vencer a qualquer momento. Cinco Copas seguidas, duas décadas sem levantar a taça, tem que ser alerta mais do que suficiente.

16.12.2022

O bônus de hoje é o áudio da música Balada nº 7, de Moacir Franco. A canção homenageia Garrincha, o melhor camisa sete que já tiveram o Botafogo e a Seleção Brasileira. Depois temos um vídeo produzido pela Associação do Futebol Argentino, a AFA, associando Messi com o Natal. O que estariam pedindo para Papai Lionel?

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