O PAI ADOTIVO DO PIX NEM QUERIA QUE ELE NASCESSE

Vamos por partes, como diria Jack, o Estripador: em primeiro lugar, os estudos para a implantação de uma ferramenta que permitisse realizar pagamentos rápidos também aqui no Brasil – já existiam em vários outros pontos do mundo – foram feitos em 2016. Quem estava à frente deles era o economista Ilan Goldfajn, do Banco Central. E a presidência da República era ocupada por Michel Temer. As análises se faziam necessárias para que se tivesse noção mais precisa dos possíveis benefícios, como também dos impactos que poderiam ser trazidos por sua eventual adoção. Serviu de exemplo um sistema que era utilizado pela startup Zelle, nos EUA. Segundo: a portaria que oficializava o início de tudo foi publicada em maio de 2018, antes de Bolsonaro ser eleito. O terceiro ponto, que agora foi varrido para baixo do tapete da memória, é que a equipe econômica do atual governo e o próprio presidente, após assumirem, se mostraram contrários à adoção do Pix. A posição se explica porque temiam que houvesse impacto significativo nas receitas de bancos, seus apoiadores.

Como depois não se confirmaram as perdas dos banqueiros, porque a redução das receitas com TEDs e DOCs – reportagem de O Estado de São Paulo garante que Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil e Santander teriam deixado de arrecadar R$ 1,5 bilhão em 2021 – foram amplamente compensadas pelo crescimento no número das contas e por receitas adicionais vindas de outros serviços prestados aos correntistas, o mesmo governo que era contra respirou aliviado. E, mais do que isso, está se declarando pai da ideia na propaganda eleitoral que vem sendo mostrada em rádio e televisão. Um adendo: os quatro bancos citados pelo jornal, que são as quatro maiores instituições financeiras do nosso país, somaram no ano o lucro de R$ 81,63 bilhões, o maior já registrado desde 2006.

Em pelo menos 60 países existem sistemas de pagamento instantâneo semelhantes ao Pix brasileiro. O Japão foi o primeiro em todo o mundo a oferecer um desses. Conhecido como Zengin, ele existe desde 1973 e, por razões óbvias ligadas ao aprimoramento das tecnologias, já passou por diversas atualizações. Na Inglaterra o Faster Payments começou a operar em 2008, sendo aplicável em todas as nações do Reino Unido. Em Portugal o nome é MB Way e existe desde 2014. E na Índia ele se chama UPI, iniciais de Unified Payment Interface, com os indianos fazendo uso desde 2016. No México e na Turquia os serviços são mais recentes: respectivamente, o CoDi começou em 2019 e o Fast em 2021. Para que se tenha uma ideia, o resultado da facilidade dessas operações aponta que, segundo dados da FIS, que é líder global em tecnologia para serviços financeiros, até o final de 2022 teremos 75% da população mundial já incorporada.

Mais informações relevantes: o trabalho liderado por Ilan Goldfajn contou com a participação de cerca de 130 instituições que colaboraram, entre bancos, fintechs e cooperativas. O Pix tem ajudado a retirar de circulação dinheiro em papel, o que assegura economia para o governo que agora pode emitir menor número de notas para substituir as danificadas. Mais de 112 milhões de pessoas já se cadastraram no sistema. E um dado que preocupa é que a agilidade do processo está fazendo com que ele seja amplamente utilizado em crimes. Estimativas apresentadas pelas próprias instituições bancárias apontam para um desvio de R$ 2,5 bilhões em golpes financeiros ao longo deste ano, com 70% deste montante sendo movimentado via Pix.

Isso posto, para concluir vamos esclarecer de uma vez que o Pix não é um quinto filho homem de Jair Bolsonaro. Nem se precisa de exame de DNA para que fique comprovado que essa paternidade não procede. Basta buscar as mais singelas informações, que estão disponíveis para quem quiser. Foi o que eu fiz. Deste modo, a frase “Criamos o Pix tirando dinheiro de banqueiros”, pronunciada na entrevista concedida ao Jornal Nacional e depois repetida em vídeos de campanha, é uma inverdade. Uma a mais. A ideia foi importada e depois, internamente em nosso país, o sistema foi criado e implementado por analistas e técnicos, servidores concursados do Banco Central, que atuam defendendo interesses do Estado e não de governos. O que torna ainda mais triste isso ser apresentado como uma das maiores realizações de um presidente; uma confissão de que ele fez mesmo muito pouco.

11.09.2022

O bônus de hoje é a música Pra Que Dinheiro?, de Martinho da Vila, na voz de Pedro Luís. A gravação foi feita em edição do Sambabook.

Esse blog recomenda que seus leitores conheçam o site da Rede Estação Democracia. Acesso através do link abaixo.

https://red.org.br/

O INCÔMODO DAS CÁRIES

A dor de dentes está longe de ser a pior que uma pessoa pode enfrentar. Eu já tive algumas vezes. Quase todo mundo já teve alguma vez. Mas também conheci a causada por cálculos renais, por exemplo. Em três ocasiões desesperadamente semelhantes. É coisa assim de você suar às bicas, ficar paralisado, ter certeza que alguém te apunhalou pelas costas. Nem quero lembrar. Até porque o assunto de hoje é esta outra dor, bem mais tolerável e comum, em geral proveniente das cáries.

A cárie é um dos problemas de saúde de maior incidência em toda a humanidade, segundo informa a Organização Mundial da Saúde (OMS). O registro mais antigo que se tem de sua presença data de 5.000 anos antes de Cristo, aproximadamente, e foi entre os Sumérios. Também entre eles foi pela primeira vez constatada a adoção de métodos de higiene oral. Em crânios humanos encontrados em tumbas no Egito elas foram igualmente constatadas, sendo que os estudiosos as associavam ao consumo de pães duros e vegetais fibrosos. Já a Rainha Isabel I, da Inglaterra, enfrentou o problema graças à obsessão por doces, estando em 1578 com seus dentes bastante escuros.

Durante a Idade Média ocorriam extrações de dentes sem anestesia e feitas em praça pública, por barbeiros. Esse “espetáculo” talvez ainda fosse decorrente da crença que existia antes, creditando a existência de cáries à ação de pequenos vermes ou, ainda pior, de demônios que cavavam orifícios em dentes e gengivas, para penetrar no corpo de suas vítimas. Quando ocorriam essas extrações, na maior parte das vezes coletivas, era usado um instrumento que chamavam de “pelicano dental”, nada mais do que uma espécie de fórceps.

As primeiras manifestações físicas que indicam o surgimento de uma cárie são a perda da translucidez do esmalte. O local fica então com cor esbranquiçada e textura rugosa, sem brilho. Isso decorre da ação da placa bacteriana sobre a superfície do dente. Nesta fase ainda existe a possibilidade de um tratamento tópico, com aplicação de produtos que estimulem a remineralização da área lesada. Se isso não for feito, vem a fase da cavitação, nome dado ao buraco que surge. O tipo de dieta alimentar da pessoa, a flora bacteriana, a qualidade química da sua saliva e o volume da salivação, a própria estrutura dental mais ou menos resistente e os hábitos de higiene, todos esses fatores influenciam.

A pasta de dentes mais antiga que se tem notícia tinha mirra, cinzas, casca de ovos e pedra-pome na sua composição. Bem depois, na Roma Antiga e na Grécia, faziam com ossos e conchas de ostras trituradas. Na Inglaterra, por volta do Século XVI, usavam porcelana e pó de tijolos. E foi por lá que surgiu em 1780 – já no Século XVIII, portanto – a primeira escova de dentes. Foi o empresário William Addis que a confeccionou, usando ossos de vacas para o corpo e pelos de javali para as cerdas. Mas, em produção industrial e ofertada no comércio, surgia apenas em 1930, nos Estados Unidos. Vejam que não se passaram ainda cem anos.

Agora, se quisermos saber de algo tão ou mais terrível que as piores dores de dentes, os dentes postiços que eram implantados nas pessoas, em pleno Século XIX, eram de cadáveres. Ou seja, os dentes dos mortos tinham valor de mercado. Foi por isso que após a conhecida Batalha de Waterloo, região logo ao sul de onde hoje está Bruxelas, na Bélgica, na qual se estima que 45 mil soldados tenham perdido a vida, houve retirada de milhares de dentaduras dos mortos. E outra informação que se pode considerar chocante: no Japão existia uma moda, da qual ainda se encontra adeptos, na qual mulheres procuravam odontólogos para que deformassem seus dentes. Esse hábito, por lá chamado de yaeba, consistia em destruir padrões estéticos, afinando e desalinhando os dentes das adeptas. Finalizo com um horrorzinho básico e bem brasileiro: tem pastores pentecostais oferecendo orações para combater dor de dente. Só não sei se o serviço está incluído no plano básico, do dízimo, ou se o valor é cobrado à parte. Ou seja, não há o que não haja.

30.07.2022

O bônus de hoje é vídeo com a música Pra Curar Essa Dor, com Fernanda Takai e Samuel Rosa. Na verdade se trata de dor de amor, mas ilustra o texto. Até porque é bem improvável que algum compositor tenha feito letra específica para dores de dente. Se eu descobrir, acrescento. Logo depois você pode ouvir o áudio de O Mal é o Sai da Boca do Homem, música de Pepeu Gomes, Galvão e Baby Consuelo.

O Mal é o Que Sai da Boca do Homem – Pepeu Gomes

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