Pense bem: quem afinal está pagando o pato? O pessoal que o financiou e segue tranquilo em suas mansões ou aqueles que estão sofrendo as consequências sociais e econômicas, advindas do resultado alcançado com as campanhas feitas com o seu uso? Grande, amarelo e antes inflado de ar e de egos, o pato da FIESP está agora murchinho e quieto em algum galpão. Tão murcho quanto ele, só o bolso dos trabalhadores, da população que foi enganada pela suntuosidade de sua figura e dos desfiles.

A primeira aparição da ave artificial – os verdadeiros patos pertencem à família Anatidae e obviamente são muito menores – ocorreu quando de uma deflagração de campanha da entidade empresarial contra o risco de aumento de impostos, que temiam viesse a acontecer em 2015. Eles pretendiam que a necessidade de reforço na arrecadação fosse evitada com a redução de investimentos em saúde e educação, por exemplo. Mas não aceitavam, em hipótese alguma, discutir a alternativa de redução nos incentivos fiscais a que estavam acostumados, nem tampouco alinharem-se ao combate à sonegação. Os voos seguintes se deram quando patrocinaram eventos pedindo o impeachment da então presidente Dilma Rousseff, no ano seguinte. Um terceiro, bem mais curto e um tanto tímido foi já no governo de Michel Temer, quando anunciado um aumento nos preços dos combustíveis. Aliás, em índices bem menores do que os que sistematicamente estão ocorrendo esse ano, sem nem ao menos sensibilizar o bichinho amarelinho, que segue em seu sono.

Incrível é que foi descoberto, tempos depois, que esse símbolo fake de uma preocupação na verdade inexistente com os interesses da imensa maioria das pessoas tinha sido, ele próprio, fruto de corrupção e fraude. O presidente da organização empresarial, Paulo Skaf, direcionou a produtora do marqueteiro Renato Pereira, ligado ao então PMDB, para criar a campanha do pato. O publicitário mesmo admitiu isso, que teria recebido recursos vindos irregularmente do Sistema S, que é mantido com fundos públicos, para promover paralelamente a imagem de Skaf, que pretendia ser governador de São Paulo. Adivinhem se alguém foi responsabilizado por isso.

Houve ainda uma séria acusação de plágio, feita pelo artista plástico holandês Florentijn Hofman. Acontece que ainda em 2008 ele havia exibido em São Paulo mesmo um imenso pato amarelo igualzinho ao filhote de Skaf. Segundo apuração da rede britânica BBC, por uma incrível “coincidência” a mesma empresa sediada em Guarulhos, que havia produzido a obra de Hofman, foi contratada para realizar a ave dos industriais. Obviamente tudo sem que fossem pagos direitos autorais e infringindo a intenção original do artista. Repito a colocação que fiz no parágrafo anterior: adivinhem se alguém foi responsabilizado por isso.

Mas o auge mesmo do Pato da Fiesp se deu quando ele trabalhou com ardor e afinco para a retirada de Lula das eleições de 2018. Foi no entorno dele que surgiram as primeiras hostes de ensandecidos de verde e amarelo, soprando apitos, gritando palavras de ordem, erguendo seus cartazes pedindo a intervenção militar e performando coreografias com musiquinhas muito bem ensaiadas. Então, pode se afirmar que de algum modo ocorreu um absurdo biológico, com um pato gestando animais bem maiores e quadrúpedes. O que talvez se explique se nos dermos conta de que, naquele momento, a ave exercia o papel do antigo Bezerro de Ouro. Ou seja, o símbolo do falso ídolo, do falso deus e da idolatria aos valores materiais, ao dinheiro. Como esse ano teremos outra vez eleições, o pato segue escondido apenas porque seus donos ainda não sabem a quem devem direcionar suas preces.

17.04.2022

O bônus musical de hoje é O Pato, uma canção infantil de Vinícius de Moraes, com Toquinho.

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4 Comentários

  1. Afinal os lavajatistas, vão pagar o pato da FIESP, até agora quem vem pagando as faturas do marreco de Maringá é o povão. Quem sabe aqueles que fizeram o pix para o Deltan Dallagnol pagar a multa ao Lula, agora façam um pix para pagar o pato da FIESP, quem afinal está pagando o pato? O pessoal que o financiou e segue tranquilo em suas mansões ou aqueles que estão sofrendo as consequências sociais e econômicas, advindas do resultado alcançado com as campanhas feitas com o seu uso?

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  2. Nunca gostei desse pato e do papel de seus asseclas. Sempre me preocupei com o momento em que a conta fosse chegar e está aí e pior é que vai levar anos e os prejuízos são incalculáveis

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  3. Os verdadeiros patos são os que continuam a apoiar os criminosos que estão no poder. Pagamos todos nós, os que vivem de seu trabalho.

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  4. Quem pagou o pato fomos nós principalmente depois que o pato virou marreco mas com certez essa historia ainda vai ter um final felez.

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