A ideia não foi minha e nem a fotomontagem que ilustra essa postagem. Retirei ambas de um dos blogs europeus que tenho lido ultimamente, tendo sido descuidado o suficiente para não registrar o nome e poder dar os devidos créditos. Mas a pesquisa, o texto e o modo de abordagem são rigorosamente meus. O objetivo de ambos os trabalhos é valorizar o resultado altamente positivo que foi alcançado, no combate à pandemia do coronavírus, por países liderados por mulheres. Sinceramente, não é possível acreditar em coincidência. Mais correto é perceber e admitir que a competência feminina tem sido superior, resultado de uma boa formação, associada a uma percepção social aguçada e a uma sensibilidade que os homens não têm conseguido desenvolver. Vamos conhecer, ou relembrar, seis casos concretos e emblemáticos, seis personalidades que merecem ser imitadas.

1 – Sanna Mirella Marin tem 35 anos, sendo a chefe de governo mais nova do mundo. Ela é primeira-ministra da Finlândia desde dezembro do ano passado. Formada em Administração pela Universidade de Tampere, em 2017, pertence à ala esquerda do seu partido, o Social-Democrata. Sob seu comando, o país fez estoque de equipamentos médicos e manteve uma rede de proteção à população com extremo rigor, alcançando com isso resultados invejáveis, poupando incontáveis vidas.

2 – Katrín Jakobsdóttir, de 44 anos, é primeira-ministra da Islândia. Foi antes Ministra da Educação, Ciência e Cultura, estando na liderança do governo desde 30 de novembro de 2017. De uma família de poetas e acadêmicos, tornou-se bacharel em islandês e francês, pela mesma universidade onde alcançou também mestrado em artes. Integra o Partido Esquerda Verde. No enfrentamento da pandemia, supervisionou pessoalmente o rastreamento de contato precoce e rigoroso, incluindo a testagem obrigatória de todos os visitantes. Seu sucesso garantiu ainda a sobrevivência da economia, baseada no turismo.

3 – Mette Frederiksen tem 43 anos e assumiu como primeira-ministra da Dinamarca em 2019, atendendo convite da rainha Margarida II. Antes disso, já fora Ministra do Emprego (2011-2014) e Ministra da Justiça (2014-2015). Nas últimas eleições parlamentares, seu partido, o Social-Democrata, integrou bloco de esquerda e centro-esquerda, com o Popular Socialista e o Partido do Povo, entre outros, conquistando a maioria das cadeiras. O diferencial no seu enfrentamento à pandemia está numa forte ética de responsabilidade coletiva e na confiança depositada no governo. Todas as decisões duras que tiveram que ser tomadas foram antes muito bem explicadas e depois seguidas à risca, também na Groenlândia e nas Ilhas Faroé, que integram o reino.

4 – Jacinta Kate Laurell Ardern, de 40 anos, é a primeira-ministra da Nova Zelândia. Formada em Política e em Relações Públicas, ela integra o Partido Trabalhista. Foi presidente da União Internacional da Juventude Socialista e integrou o Parlamento por alguns anos, antes de assumir cargo executivo. Sua política para enfrentamento do vírus tinha como slogan “Com força e cedo”, tendo sido considerada das mais eficazes do mundo. Ela defende a cobrança de impostos maiores de pessoas de alta renda e apoia o “estado de bem-estar social” implementado em seu país, como algo estratégico, para fornecer rede de segurança para os que sejam ou estejam incapazes de prover seu próprio sustento.

5 – Tsai Ing-Wen é presidente de Taiwan, país que ostenta o menor número de mortes per capita do mundo, na atual pandemia. Ela tem 63 anos, sendo formada em Direito, com mestrado e doutorado na mesma área, ambos feitos na Inglaterra. É a primeira mulher eleita – e agora reeleita – para o cargo naquela república, sendo que nunca havia concorrido a qualquer outro antes. Seu lema para o enfrentamento do coronavírus foi “velocidade e vigilância”. Determinou monitoramento de todos os voos ainda em dezembro do ano passado, quando nem sequer se tinha ainda noção da gravidade e da proporção que o problema teria.

6 – Angela Dorothea Merkel é chanceler da Alemanha desde 2005. Com 66 anos, ela é tida hoje como a mulher mais poderosa do mundo e a líder de fato da União Europeia. Formada em Química Quântica, até 1989 trabalhou como pesquisadora científica. Foi Ministra do Meio Ambiente, Proteção da Natureza e Segurança Nuclear. Conseguiu, ao longo deste ano conturbado, estabelecer um padrão equilibrado entre segurança da população e abertura econômica, com resultado que superou as expectativas.

Não se faz necessário nem conveniente quaisquer comparações com o modo de enfrentamento feito no Brasil. Isso só serviria para agravar a dor sentida pelas até agora mais de 180 mil vidas perdidas por aqui.

18.12.2020

No bônus de hoje, o grupo carioca Samba Que Elas Querem, composto por sete mulheres que tocam e cantam música brasileira de qualidade. A composição é uma paródia de Mulheres, de autoria de Martinho da Vila. Nós Somos Mulheres é o nome dado à versão de Sílvia Duffrayer.

6 Comentários

  1. Olá Solon,
    Que artigo, é um excelente lembrete e é verdade que te faz pensar …
    Agradeço seu artigo que me diverti muito lendo e compartilhando com meu marido
    Bom dia para você
    Se cuida
    Corinne
    Merci pour la chanson !!!! 😉

    Curtido por 1 pessoa

  2. Parabéns amigo, muito legítima essa análise. As mulheres, ou seja, o olhar e fazer feminino faz a diferença na educação, saúde, emprego e renda. Elas nascem com essa ideia e prática da vida.

    Curtido por 1 pessoa

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