Ele é muito conhecido em virtude dos conteúdos que posta, sendo um forte incentivador da popularização da ciência. Faz isso usando uma linguagem de fácil compreensão, priorizando formas o mais didáticas possíveis, o que facilita o entendimento das pessoas. Tem formação acadêmica em Geologia (UFRJ), com mestrado em Engenharia de Petróleo (UNICAMP) e doutorado em Geociências (UNICAMP). Criou o site “Space Today”, compartilhando explicações de fenômenos, notícias e curiosidades sobre o tema. Faz uso também das plataformas Instagram e X (antigo Twitter) para interagir com seu público. Fecha ainda o circuito que o tornou celebridade com a participação em eventos e a publicação de artigos. Estou falando de Sérgio Sacani.

O que talvez nem mesmo boa parte dos seus seguidores saiba é que ele é um cara de muita sorte. Ao menos em se tratando de ficar no “quase”, quanto a estar presente em aviões que terminaram sofrendo acidentes. Em pelo menos duas vezes sobreviveu devido a escolhas e decisões de última hora. Parece mesmo que Deus gosta muito dele, apesar dele se declarar ateu.

Na primeira oportunidade ele estava em Macaé e tinha que voltar para o Rio de Janeiro. Faria o percurso em 30 minutos, com um Beechcraft King Air B200, da OceanAir – esta empresa mais tarde se tornaria a Avianca Brasil. O voo traria na sua maioria funcionários e prestadores de serviço para a Petrobras, uma turma que fazia essa rota com frequência. Só que naquele dia o clima estava um tanto carregado e um parceiro de Sacani propôs a ele irem de carro, uma vez que a turbulência seria inevitável e ele não gostava nada daquela sensação. Por camaradagem ele aceitou. Partiram via rodoviária, mesmo com a duração da viagem sendo de três horas e meia, algo como sete vezes mais do que se fossem de avião.

A aeronave cujo prefixo era PR-OTB nunca chegou ao Aeroporto Santos Dumont. Colidiu contra o Pico da Pedra Selada, uma montanha que tem 1.755 metros de altitude e está localizada no município de Itatiaia, perto de Rezende. Os dois tripulantes e todos os 17 passageiros perderam a vida. A investigação do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) apontou como causa do acidente uma combinação de fatores climáticos e operacionais. O piloto havia tentado realizar uma navegação visual em condições que exigiam estritamente o uso de instrumentos. As nuvens densas e o nevoeiro o tiraram da rota segura, por desorientação espacial. Estava em altitude inferior àquela que seria necessária para ultrapassar as elevações.

A segunda dessas decisões que terminaram por salvar a vida de Sacani ocorreu em 26 de setembro de 2006, quando caiu um Boeing 737-800 da Gol sobre a região da Serra do Cachimbo, no norte do Mato Grosso. A aeronave, que recém havia sido comprada, fazia voo de Manaus ao Rio de Janeiro, com escala em Brasília, quando foi atingida em uma das suas asas por um jato executivo Legacy 600, fabricado pela Embraer. Esse voava em sentido contrário, indo para os Estados Unidos.

Sacani estava em Manaus, onde fora participar de um congresso. E com passagem marcada para esse voo. Um colega, que tinha o seu retorno previsto para um dia depois, pediu para trocar com ele a viagem de volta, porque seu filho estava de aniversário. Ele aceitou e o amigo perdeu a vida, como todas as outras 153 pessoas que estavam a bordo. O choque ocorreu porque o Legacy havia sido posto por engano na mesma rota e altitude, mas também porque voava com o sistema anticolisão desligado pelos pilotos estadunidenses. Protegidos pelas autoridades do seu país, nunca foram responsabilizados pelo acidente. O Boeing se desintegrou no ar devido às forças aerodinâmicas, com os destroços caindo sobre uma mata densa. O jato menor fez um pouso de emergência na Base Aérea do Cachimbo e seus sete ocupantes sobreviveram.

09.03.2026

Sérgio Sacani Sancevero

O bônus de hoje é o clipe oficial da música Portas, de Marisa Monte.

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