Madrugada entre os dias 4 e 5 de janeiro de 2026, em Florianópolis, a capital catarinense. Um cão comunitário da Praia Brava, ao norte da ilha, é brutalmente agredido na cabeça com um objeto contundente e segue sendo espancado. Orelha – este o seu nome – não é de ninguém, mas é de todos os moradores da região, com as pessoas lhe dando alimento e cuidado coletivo. Recebem em troca atenção e carinho. Ele é dócil e tem 10 anos de idade. Provavelmente sem entender o que acontecera, uma vez que se aproximara feliz e sacudindo o rabo, ao ser chamado, ele foge e se esconde. É encontrado depois agonizante e, sem condições de recuperação, termina sendo submetido à eutanásia em uma clínica veterinária.

A brutalidade causou revolta, mas tem tudo para não ficar impune. Isso porque as câmeras de vigilância de um condomínio flagraram o crime. Ele fora praticado por quatro adolescentes, que acabaram identificados. Com isso, em função de suas idades, o caso passou a ser investigado pela Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCAMI). E terminou ganhando conotações ainda mais graves. Primeiro porque foi descoberto que o mesmo grupo havia tentado matar outro cão da comunidade, o Caramelo – esse por afogamento, mas ele conseguiu escapar. Nenhum dos dois animais tinha endereço fixo, mas havia moradores, trabalhadores da praia, proprietários de quiosques e vendedores ambulantes que se revezavam nos cuidados básicos. Tanto que ambos eram vacinados. Segundo, porque alguns familiares dos jovens passaram a agir no sentido de atrapalhar ou impedir o trabalho da polícia.

Seu primeiro ato foi ameaçar e coagir o vigilante do condomínio, para que esse apagasse ou ao menos não entregasse as imagens que são comprometedoras. Ao mesmo tempo, dois dos jovens foram enviados para os Estados Unidos, sendo afastados da possibilidade da polícia os ouvir. Isso forçou uma intervenção direta do Delegado-Geral, Ulisses Gabriel, pressionado pelos fatos e por sua enorme repercussão, que foi muito além dos limites do vizinho Estado. Assim, foi aberta mais uma investigação, essa conduzida por outra delegacia, contra os adultos. São dois empresários e um advogado. Ou seja, “homens de bem”, daqueles que têm proliferado em Santa Catarina. Existe ainda a suspeita que um quarto esteja envolvido no caso, sendo esse um policial civil, pai de um dos adolescentes. Provavelmente seja ele o proprietário de uma arma que foi “sutilmente” mostrada ao vigilante.

Nesta terça-feira, 27 de janeiro, houve entrevista coletiva concedida pela Polícia Civil. Os menores deverão responder por ato infracional análogo ao crime de maus-tratos contra cães e gatos, com qualificadoras. São elas ter resultado em morte (aumento da pena de um sexto a um terço), crueldade e tortura (colocaram pregos na ponta do objeto, para agravar os ferimentos que sabiam seriam causados), e tentativa de matar outro animal. Podem ser submetidos à liberdade assistida, semiliberdade ou mesmo internação, além de prestação de serviços e reparo financeiro. Como houve a fuga para o exterior, tende a ficar mais difícil escapar de punições.

Sobre isso, se não houver o retorno voluntário nos próximos dias, órgãos como a Interpol podem ser acionados para auxiliar na sua localização, muito embora a extradição de menores seja um processo jurídico mais restrito. Só que existe a alternativa de solicitar às autoridades dos EUA o simples cancelamento dos vistos, com a notificação das infrações graves aqui cometidas. Quanto aos adultos, está confirmado o indiciamento de todos por coação no curso do processo, fraude processual e auxílio à fuga. Isso além de um possível porte ilegal de arma de fogo, algo que ainda está sendo devidamente investigado.

Pensando bem, não é apropriado o título escolhido para o texto de hoje. Primeiro, porque o grupo era composto por mais de quatro, uma vez que os progenitores são tão estúpidos quanto sua prole. Segundo, que os animais não fazem o que essas pessoas fizeram. 

28.01.2026

Orelha era dócil e amado por todos na vizinhança

O bônus de hoje é Canção Para o Meu Cachorro, de Gabriel Gonti, que é natural de Patos de Minas e foi o primeiro artista produzido por Maria Rita.

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