No dia de hoje, em Milão, amantes do futebol terão a oportunidade de acompanhar a confirmação – ou não – de uma zebra que parece mais do que disposta a não aceitar ser chamada assim. A Internazionale, que já conquistou ao longo de sua história 20 vezes o campeonato nacional do país, além nove Copas da Itália, de três vezes a Copa da Uefa, três a Champions League e três o Mundial de Clubes, recebe o modesto e quase desconhecido Fotballklubben Bodø/Glimt. E terá que virar o placar de 3×1 contra, que trouxe como visitante ao atuar na Noruega. Este é um dos confrontos eliminatórios da Champions 25/26.
O Bodø/Glimt é um clube de futebol sediado na cidade de Bodø, bem ao norte do seu país. No inverno, por lá o sol não fica brilhando mais do que 50 minutos por dia, sobre a localidade de 52 mil habitantes. Mas, existe uma compensação: as fantásticas auroras boreais. A história do clube foi um tanto diferente da beleza do cenário, com ele quase tento falido várias vezes. Em todas foi salvo por “vaquinhas” feitas pela comunidade, da qual participaram pessoas simples, como pescadores e até mesmo os vendedores de cachorro-quente que trabalhavam ao redor do Aspmyra Stadion, que tem capacidade para 8.200 espectadores e um gramado sintético – isso porque o rigor climático do Círculo Polar Ártico não deixa que seja de grama natural. Ele é um dos estádios mais ao norte em todo o mundo.
O clube foi fundado em 19 de setembro de 1916, tendo sido ao longo do tempo apenas uma agremiação local, sem pretensões de ir além das disputas regionais. Até porque não lhe era permitido sequer participar dos campeonatos noruegueses, até 1970. O sul do país esnobava a existência do restante do território. O que, convenhamos, também houve no Brasil, onde as disputas nacionais só ocorreram a partir da década de 1960, com incorporação gradual de clubes fora do eixo Rio-São Paulo. Com todas essas dificuldades, o Bodø/Glimt sempre valorizou os talentos da própria cidade e arredores. Mais recentemente, agregou jogadores que não vinham sendo utilizados em outras cidades, dando a eles um propósito. Foi assim que nos últimos seis anos venceu quatro vezes sua Liga Nacional.
Desta forma conseguiu disputar a Conference League, uma espécie de terceira divisão dos grandes clubes europeus. E, naquela oportunidade, marcou sua participação com uma goleada de 6×1 sobre a Roma, que era treinada por Mourinho. E, na temporada passada, conseguiu chegar até a semifinal da Europa Champions League, o que equivale por aqui à Copa Sul-Americana. Assim adquiriu o direito de participar, em 25/26, da elite das elites, do campeonato de clubes mais valorizado de todo o mundo. Claro que depois de superar playoff contra o Sturm Graz, da Áustria. Na fase “quente”, não venceu nenhum dos seis primeiros jogos disputados, tendo três empates e três derrotas ao enfrentar Slavia Praga, Tottenham, Galatasaray, Mônaco, Juventus e Borussia Dortmund. Então, suas chances de classificação estavam em 0,3%, segundo informavam os sites especializados.
Foi então que eles passaram por cima do Manchester City, do treinador mais afamado do mundo, o Guardiola. Aplicaram 3×1 em partida que, se houvesse justiça, teria sido mais do que o dobro, tamanho o número de chances perdidas(*). Isso na sua casa. Porém, para confirmar a reação final, precisavam vencer o Atlético, em Madrid. Com o Riyadh Air Metropolitano recebendo 70 mil pessoas – muito mais do que toda a população de Bodø –, os visitantes atingiram a proeza, com uma vitória por 2×1. Estava quebrado o jejum de quase 30 anos do futebol norueguês, desde a temporada histórica do Rosenborg, em 1996/97.
Agora, teve seu jogo de ida no último dia 18 quando, em outro momento que entrou para a história do Aspmyra, o Bodø venceu com gols feitos por Sondre Fet, Jens Petter Hauge e Kasper Høgh. E a Inter descontou com Francesco Pio Esposito. Logo mais o confronto é no San Siro, nome pelo qual a torcida prefere chamar o Stadio Giuseppe Meazza. Será possível ver pela televisão o confronto, às 17 horas, no horário brasileiro. O time norueguês pode perder por um gol de diferença que ainda assim avança para as oitavas. Terá minha torcida.
24.02.2026
(*) Depois da derrota, que consideraram vexatória, os quatro capitães do Manchester City (Bernando Silva, Rúben Dias, Rodri e Erling Haaland) decidiram reembolsar o valor dos ingressos pagos pelos 374 torcedores que se deslocaram da Inglaterra até a Noruega. Foram 9.357 libras, o que equivale a algo perto de R$ 67 mil.

O bônus de hoje é duplo. Começamos com um vídeo de Aurora, uma das mais famosas cantoras norueguesas, em clipe da Scarborough Fair. Esta música na realidade é inglesa, apesar do clima folclórico e um tanto melancólico que lembram as tradições do norte da Europa. Ela fez parte da trilha da novela Deus Salve o Rei, que a Globo levou ao ar em 2018. Depois, temos o hino do Fotballklubben Bodø/Glimt.
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