A transmissão dos grandes prêmios de Fórmula 1, que nos últimos anos vinha sendo feita pela Rede Bandeirantes, voltará a ser exclusividade da Rede Globo, em 2026. É o retorno para o lugar onde esteve, na época das “vacas gordas”, quando os brasileiros tinham pilotos locais com reais condições de se tornarem campeões, para quem torcer. O que começou com Emerson Fittipaldi e alcançou o ápice com Ayrton Senna, o maior de todos os tempos. E foi deste último, além de três títulos e tantas corridas memoráveis, a autoria daquela que se tornou, na avaliação da imensa maioria, a mais fantástica primeira volta feita em todos os tempos.

Esse desempenho primoroso aconteceu no Grande Prêmio da Europa, disputado em 1993 no circuito de Donington Park, localizado no condado de Leicestershire, na zona leste da Inglaterra. Em pouco mais de um minuto ele ultrapassou quatro rivais, incluindo Alain Prost e Michael Schumacher. Largando na quarta posição, de imediato perdeu mais uma para o piloto austríaco Karl Wendlinger, ficando em quinto. Estava chovendo forte, desde alguns minutos antes da largada. E correr com essa condição climática era uma das especialidades do piloto brasileiro. O que ajudou muito para a assombrosa realização, algo nunca mais repetido ao longo do tempo.

Quando os competidores chegam na primeira das 12 curvas que formam a configuração principal do autódromo – são quatro para a esquerda e sete para a direita, além de uma chicane – Schumacher, que estava em quarto no momento, tenta fechar a porta. Mas, Senna consegue ver um espaço por dentro e deixa o alemão para trás. Todos mergulham então para o trecho mais rápido da pista, naquele momento ainda mais molhado que os demais. Só que o brasileiro sabe encontrar aderência onde ninguém mais vê essa possibilidade. E passa Wendlinger por fora, numa manobra que parecia ser impossível. Assim, está em terceiro e já parte para cima de Damon Hill, o então vice-líder.

O britânico, filho do falecido bicampeão mundial de Fórmula 1, Graham Hill, pilota uma Williams, assim como Alain Prost. Este carro é muitíssimo superior à McLaren de Senna, bem mais lenta e sem dispor do moderno sistema de controle eletrônico. Mesmo assim, ele alcança o rival quando se aproximam da Schuman’s Curve – o ex-piloto e proprietário daquele circuito, Tom Wheatcroft, deu esse nome em homenagem ao compositor alemão Robert Schumann –, mergulhando por dentro com uma precisão absurdamente cirúrgica. Não há o que o outro possa fazer para evitar que o brasileiro assuma a segunda posição.

Agora, era caçar o líder Alain Prost. Antes do fim daquela primeira volta, o francês freia na entrada do hairpin, uma curva em formato de grampo de cabelo, extremamente fechada, de quase 180 graus, a mais desafiadora da pista ao exigir desaceleração e retomada imediata. Senna, cheio de confiança, não faz o mesmo e coloca seu carro por dentro. Pronto: ele está em primeiro. Desde então a volta ficou conhecida como “The Lap of the Gods” (A Volta dos Deuses), em referência aos envolvidos no episódio.

É importante salientar que a imprensa britânica havia criticado a escolha do local para a realização do GP, afirmando que aquele traçado não era adequado, na medida em que não oferecia pontos para ultrapassagens. Senna desmentiu isso e recebeu a bandeirada final como vencedor. Ele já era tricampeão do mundo, naquela ocasião. E não conquistou mais nenhum título, uma vez que sofreu um acidente fatal no ano seguinte. Passados 32 anos da sua morte, no entanto, ele continua sendo visto e considerado como o melhor de todos os tempos. Para nosso orgulho.

Os três títulos mundiais de Ayrton Senna foram obtidos pilotando carros da equipe McLaren, em 1988, 1990 e 1991. Ao longo de sua carreira, que começou na Toleman (1984) e terminou na Williams (1994), teve ainda uma passagem pela Lotus (1985-1987). Ao todo ele conquistou 65 pole positions e venceu 41 grandes prêmios.

18.01.2026

O bônus de hoje começa com vídeo da volta citada no texto, narrado por Galvão Bueno. Depois temos clipe da música The Best (O Melhor), com Tina Turner.

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