Não me perguntem onde foi, porque isso eu não lembro. Mas, eu li em algum lugar que se não fosse mais produzida uma única peça de roupa sequer, a partir de agora, com o que existe a humanidade toda poderia seguir se vestindo durante um século inteiro. Se isso é verdade ou não, se esses números são exatos, aproximados ou superestimados, não posso de modo algum afirmar. Entretanto, é enorme a possibilidade de que isso seja verdade, baseado naquilo que cada um de nós tem em casa.

Evidente que é grande o número de pessoas que não possuem aquilo que precisam. Só que o de quem tem além do necessário é muito maior, com absoluta certeza. Tirando as camisetas de futebol, que essas são para mim uma coleção, tenho mais calças e camisas do que necessito; tenho mais agasalhos do que deveria; tenho alternativas que estão mais do que esquecidas no tempo ou no padrão da moda – não que o último aspecto citado me importe muito. O desapego é algo que necessita ser exercitado por todos, incluindo euzinho aqui. Só que a questão vai muito além disso.

A indústria da moda como um todo talvez precisasse ser revista. Não é do conhecimento público o enorme mal que ela causa ao meio ambiente. Mas, para a produção de uma única calça jeans, por exemplo, aqui no Brasil, são gastos em média 5.196 litros de água – o que seria suficiente para matar a sede de 69 pessoas durante um mês inteiro, considerada a razão de 2,5 litros por dia. Esse cálculo considera todas as várias etapas que envolvem o processo, desde o plantio do algodão, passando pela tecelagem e vindo até a lavanderia pré-venda. O que é um verdadeiro absurdo, convenhamos. Isso supera em muito o que é necessário para a produção de alimentos.

Na revisão dos nossos hábitos, se torna cada vez mais importante que se tenha menos peças, que elas sejam usadas por mais tempo e que, na hora do “descarte”, se considere ser ela reaproveitada por outra pessoa. O número de brechós felizmente está crescendo em todo o mundo. Eles acompanham a conscientização. E a data de hoje, 25 de agosto, inclusive está registrada como comemorativa ao fato: é o Dia Mundial do Second Hand. Evidente que eu aplaudo a iniciativa, mesmo odiando não se ter aqui no nosso país traduzido logo para “Segunda Mão”, o que deveria ter sido feito. O objetivo é promover a importância de se dar nova vida não apenas a roupas como também quaisquer outros objetos usados.

Agora, como o “Deus Mercado” parece ser nosso guia, atualmente, há um bom motivo para se acreditar que uma pequena mudança que está sendo sentida, se acentue. Isso porque a movimentação financeira global de “second hand” está em franco crescimento. A previsão é alcançar um total de US$ 350 bilhões até 2028. No Brasil foram R$ 5 bilhões em 2023 e a expectativa de crescimento do setor é de 25% ao ano.

Cresce o olho, aumenta o número de interessados no tema. Por isso se tem ouvido falar bem mais no conceito de “moda circular”, nome dado à promoção de práticas sustentáveis que alcançam produção, consumo e descarte. Ela defende fatores como a economia de água e de energia, o não armazenamento, a doação, a customização e a revenda de roupas e acessórios. Também propõe coisas como a superposição de peças e as técnicas de upcycling, que consistem em meios de transformar aquilo que é descartável em produtos de valor ainda maior.

Agora, se a palavra “valor” tem que ser considerada, lembremos que não há nenhum maior do que a preservação da vida. E que esta depende de forma umbilical das condições ambientais, que estão sendo de tal forma degradadas que, se não agirmos já, não se precisará discutir no futuro coisas como a moda. Porque não existirá ser humano para vestir o que quer que seja.

25.08.2024

Brechós são excelente alternativa. E oferecem produtos de boa qualidade

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O bônus de hoje é a música Consumo Consciente, com a Orquestra de Sucata. Foi gravada em São Paulo, em 2022.


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