SANTA CATAREICH E O CRESCIMENTO DO ÓDIO
Pesquisa realizada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que teve divulgação recente, aponta para a existência de pelo menos 1.115 núcleos e células neonazistas em atividade no Brasil. O estudo foi liderado pela antropóloga Adriana Abreu Magalhães Dias – ela faleceu em 2023, mas o trabalho teve continuidade – e nos oferece outros dados alarmantes. Apesar de sua atuação majoritária ainda ficar mais restrita à internet, cada vez mais se envolvem em atos e manifestações concretas, além de ações pontuais. Em termos geográficos, a imensa maioria deles está nas regiões Sul e Sudeste do país, com destaque mais do que evidente para o território catarinense – não por acaso o Estado vem sendo chamado de Santa CataReich.
Em Santa Catarina são 320, enquanto São Paulo, com população quase seis vezes maior, tem 268. Em terceiro está o Paraná, com 197, seguido por Rio Grande do Sul, com 159, e Rio de Janeiro, com 61. As células nestes e outros integrantes da federação formam 17 movimentos que são distintos, incluindo grupos hitleristas, supremacistas raciais, secções locais da Ku Klux Klan e negacionistas do holocausto. A pesquisa usou métodos de monitoramento de fóruns, sites, redes sociais e convites para eventos, o que permitiu fazer um mapeamento exemplar. Os estudos são de ordem antropológica e sócio-política. Existe projeto de produção de um livro, que até agora não saiu, talvez em função do falecimento da sua líder original.
É interessante apontar que houve um boom no surgimento dos grupos e núcleos, que eram poucas dezenas até o final da década passada. A partir de 2018 ocorreu uma verdadeira explosão deste radicalismo. Ocorre conexão entre alguns, mas boa parte deles age de forma descentralizada. Seus adeptos consomem grande volume de material neonazista, desde leitura passando por utilização de símbolos e defesa – e acúmulo – do uso de armamentos. Sendo mais meticuloso na verificação do seu crescimento, entre janeiro de 2019 e maio de 2021, um período que foi densamente pesquisado, o incremento foi da ordem de 270,6%. Esses dados todos têm sido citados em relatórios oficiais e debates públicos que examinam o extremismo no Brasil, mas o enfrentamento do problema ainda parece incipiente, infelizmente.
Na cidade de Blumenau e arredores são 63 células e núcleos. Cada um deles tem pelo menos 40 membros, com possibilidade de serem alguns bem maiores. E trabalham com recrutamento de pessoas, além de forte difusão ideológica e distribuição de material de propaganda. O município foi fundado em 1850, por Hermann Blumenau. Ao lado de Pomerode, Brusque, Indaial e Timbó, concentra a colonização inicial e histórica dos imigrantes vindos da Alemanha para o vizinho Estado. Foi em meados do Século XIX, vindos principalmente da Prússia, Pomerânia e Baden. Além deste Vale do Itajaí, outra área com forte presença germânica é o Norte, com Joinville – foi fundada em 1851 como Colônia Dona Francisca –, São Bento do Sul e Jaraguá do Sul.
Reich é uma palavra alemã que significa “império”, “reino” ou “domínio”. O termo deriva do germânico antigo rīhhi, relacionado à ideia de poder soberano ou território governado. Em diferentes momentos da história alemã ele foi adotado, enquanto estruturação política. Primeiramente com o Heiliges Römisches Reich, que pode ser traduzidocomo Sacro Império Romano-Germânico, com existência entre os anos 800 a 1806. Na oportunidade seguinte houve o Deutsches Kaiserreich, o Império Alemão que foi unificado sob liderança prussiana (1871–1918), também chamado de Segundo Reich. E depois foi a vez do famigerado Drittes Reich (Terceiro Reich), nome usado pelo regime nazista de Adolf Hitler (1933–1945), que pretendia apresentar seu governo como herdeiro dos impérios anteriores. Já não parece absurdo se pensar que existe gente sonhando com a criação de um Viertes Reich (Quarto Reich).
26.02.2026

O bônus de hoje começa com Bella Ciao, uma canção camponesa que se tornou mais conhecida com a versão surgida durante a resistência da Itália contra o regime fascista de Benito Mussolini e a ocupação nazista, entre 1943 e 1945. Depois temos Bob Dylan, com Masters Of War (Os Senhores da Guerra). Na abertura do clipe temos um fragmento de discurso de Martin Luther King, liderança negra dos EUA que foi assassinado por um racista chamado James Earl Ray.
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