A CHINA COMBATE A DESERTIFICAÇÃO

Embora a China tenha projetos importantes, que foram deliberadamente desenvolvidos para combater desertificações em seu território, como a conhecida Grande Muralha Verde, o país acaba de conseguir mais um sucesso nessa área, esse de forma acidental. Ao criar uma extensa área com painéis para captação solar e transformação em energia elétrica, no deserto de Kubaqi e no planalto de Talatan, teve uma “surpresa feliz”.

As plantas de engenharia foram instaladas em áreas degradadas, onde já havia o avanço do solo inóspito e o recuo das possibilidades de vida. Milhares de painéis ocuparam esses locais. Então, eles reduziram a força do vento, criaram uma sombra constante, diminuíram a evaporação e, durante as noites, houve resfriamento suficiente para condensar umidade do ar. Assim, todas as manhãs escorria delas orvalho direto para o solo. Uma irrigação natural não prevista se estabeleceu, semelhante a tantas que agricultores fazem uso em suas plantações. A ela ainda se soma a água usada para limpar a estrutura, periodicamente. Com tudo isso, a vegetação começou a voltar sob as placas.

O crescimento foi tanto que virou um problema operacional. Ficou muito difícil manter tudo limpo, realizando cortes que precisavam ser manuais. Outra alternativa seria aplicar algum produto químico, mas isso não faria nenhum sentido, uma vez que estariam contaminando propositalmente um ambiente em regeneração. A decisão então recaiu sobre fazer com que um grande rebanho de ovelhas pudesse entrar no parque. E, como na China tudo é grandioso, devido às dimensões não apenas territoriais como humanas e tecnológicas, até a solução simples virou imensa. São vinte mil ovinos soltos no campo. Assim, elas não apenas controlam a vegetação como fertilizam o solo, espalham sementes e geram renda.

Na região, 18 mil famílias estão vivendo disso, uma vez que a economia local foi impulsionada com a venda de carne e de lã. O mais incrível é que o parque deixou de ser apenas algo voltado para a geração de energia elétrica. Claro que este primeiro propósito é relevante, uma vez que atende milhares de casas e empresas. Mas, passou a gerar também biodiversidade, riqueza com empregos novos, favoreceu até o surgimento de aquíferos. Ou seja, superou em muito aquilo que faz uma área meramente agrícola convencional. E sem uso de arado, pesticidas e não sendo monocultura.

Sobre a Grande Muralha Verde, citada antes, se trata de uma barreira de vegetação implantada para conter um inimigo natural: o Deserto de Gobi. O seu nome oficial é Programa de Florestamento dos Três Nortes, sendo o maior projeto de geoengenharia ecológica do mundo. Foi lançado em 1978, com uma meta audaciosa prevista para ser alcançada apenas no ano de 2050. São quase 4.500 quilômetros de extensão, sendo coberto com árvores, arbustos e gramíneas. O norte da China sofria com uma desertificação acelerada, que “devorava” terras agricultáveis e gerava tempestades de areia tão massivas que algumas vezes chegaram até Pequim. Com esse trabalho incansável, a cobertura florestal deve subir de 5% para 15%.

Importante salientar que o projeto não se resume em plantar árvores de forma aleatória. Há várias técnicas empregadas. Para a fixação de dunas usam palha em formato de tabuleiros de xadrez, “prendendo” a areia antes de qualquer plantio. A semeadura se dá até mesmo com o uso de aviões e drones, que lançam sementes quando a área a ser alcançada é de difícil acesso. E a opção se dá sobre espécies que dão frutos ou nozes, para que a população local tenha interesse financeiro e ajude no cuidado com a floresta.

Outro detalhe é que no começo plantavam muitas árvores de uma só espécie. Álamos, por exemplo. Mas isso favoreceu o aparecimento de pragas que matavam grandes áreas em recuperação. Outro problema é que as não nativas acabavam consumindo água em excesso, muito mais do que o solo semiárido podia oferecer, o que baixava o nível do lençol freático. Bastou rever essa parte do processo, com melhor escolha sobre que vegetação priorizar, para que tudo se solucionasse. Racionalidade que por aqui faz uma falta enorme.

14.03.2026

O bônus de hoje é uma amostragem da atual música popular chinesa. A cantora Qu Wanting interpreta 在我的歌声里 (Na minha canção). Para o entendimento de todos, há legendas em português.

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