PATRIOTISMO DE ALUGUEL E SOBERANIA LEILOADA
O conceito do que seja patriotismo precisa ser revisto urgentemente, a partir do que assistimos no último domingo, no Texas, durante a estreia do senador brasileiro Flávio Bolsonaro (PL) na CPAC, a Conservative Political Action Conference (em português, Conferência de Ação Política Conservadora). Num evento que reunia o suprassumo de toda a extrema-direita estadunidense e mundial, ele simplesmente demonstrou seu “amor à pátria” se ajoelhando diante de interesses estrangeiros. E chegou a prometer acesso irrestrito às riquezas minerais brasileiras, se puder ser conduzido à presidência com o apoio destes a quem lambe as botas. O que até nem trouxe tanta novidade assim, uma vez que seu irmão já havia feito algo parecido e seu pai costuma bater continência para a bandeira dos EUA.
Entretanto, desta vez foi cruzada a última linha da decência e da etiqueta política. Ele rasgou simbolicamente seu próprio passaporte. Durante o seu discurso este arauto de “o Brasil acima de tudo” nos colocou abaixo do rabo de um cachorro. Garantiu a totalidade de nossas terras raras para a exploração exclusiva do Tio Sam, se eleito. Pediu a interferência direta de organismos estadunidenses nas nossas instituições, tendo ainda se oferecido para ser aqui o defensor de “valores americanos”. E em nenhum momento usou a palavra democracia.
Para entender a gravidade do gesto, basta aplicarmos a chamada lógica do espelho: imaginemos um cidadão norte-americano, senador eleito pelo seu povo, desembarcando em Brasília para pedir que o governo brasileiro pressionasse as instituições estadunidenses para garantir a eleição de algum candidato à presidência dos EUA. Nos oferecendo de mão beijada tudo o que se quisesse das suas riquezas. Quando ele retornasse para casa, o que aconteceria? No rigor do nacionalismo daquele país, seria responsabilizado e sumariamente rotulado como traidor. O ostracismo seria o menor de seus problemas, a justiça o maior deles. Aqui, no entanto, tenta-se vender essa subserviência como sendo “estratégia moderada”.
Não há nada de moderado em oferecer “terras raras” e outros recursos em troca de suporte para anistiar golpistas, para liberar o pai criminoso da prisão. O que Flávio – e Eduardo antes dele – articula, sob a mentoria de figuras como Steve Bannon e Steven Miller, é simplesmente uma conspiração internacional que visa transformar o Brasil em um campo de batalha para interesses que não nos pertencem. Aliás, esses patriotas de aluguel agem como apoiadores para outras manobras também, como a de tachar o narcotráfico como “terrorismo” apenas para abrir as portas para ações militares estrangeiras em nosso território. Eles e os demais de mesmo sobrenome Bolsonaro, assim como seus seguidores cegos, demonstram que a segurança nacional, nossa identidade, nossa história e tudo o que entendemos como nação não passa de uma série de conceitos terceirizáveis.
Chamar isso de patriotismo é um insulto à inteligência. Patriotas são os trabalhadores, empresários, profissionais liberais, pesquisadores, cientistas, agentes da economia criativa, agricultores, professores, todo o povo que diariamente luta e se dedica, criando riqueza, desenvolvendo o Brasil. O entreguismo está do lado oposto disso. Está no alinhamento irracional, automático, irrestrito ao pensamento trumpista. Contra o qual, aliás, boa parte da população estadunidense está se rebelando, ao se dar conta do enorme equívoco que foi sua eleição. O verdadeiro nacionalismo exige a coragem de resolver nossos conflitos e problemas dentro das nossas fronteiras. Com respeito, trabalho e dignidade.
Essa candidatura – a de Flávio – nasce forjada no estrangeiro, decorada por consultores americanos e traduzida para um português que mal consegue disfarçar o sotaque do entreguismo. Surge implorando por tutela e prometendo desrespeitar nossas leis. Serve para Washington, não para Brasília. Com ela entramos com o lombo e os EUA com o chicote. É uma farsa que já era mais do que perceptível aqui dentro e que, agora, se escancara também lá fora.
02.04.2026

O bônus de hoje é vídeo com a música Brasil Pandeiro, uma criação de Assis Valente, aqui apresentada por artistas populares de vários pontos do nosso país.
Você gosta de política, comportamento, música, esporte, cultura, literatura, cinema e outros temas importantes do momento? Se identifica com os meus textos? Se você acha que há conteúdo inspirador naquilo que escrevo, considere apoiar o que eu faço. Contribua por meio da chave PIX virtualidades.blog@gmail.com ou fazendo uso do formulário abaixo:
FORMULÁRIO PARA DOAÇÕES
Selecione sua opção, com a periodicidade (acima) e algum dos quatro botões de valores (abaixo). Depois, confirme no botão inferior, que assumirá a cor verde.
Faça uma doação mensal
Faça uma doação anual
Escolha um valor
Ou insira uma quantia personalizada
Agradecemos sua contribuição.
Agradecemos sua contribuição.
Agradecemos sua contribuição.
Faça uma doaçãoDoar mensalmenteDoar anualmente