BIG BROTHER BRASIL: DA ORIGEM À ERA DOURADO
Tem início hoje a vigésima-sexta edição do mais importante entre tantos reality shows que a televisão brasileira veicula: o Big Brother Brasil. Se pode afirmar que ele, mais do que quaisquer um dos outros, atingiu a categoria de “fenômeno” e se transformou em um verdadeiro evento sociológico. Considerando o tempo entre sua estreia, em 2002, até o patamar atingido agora, o programa evoluiu de um simples experimento de convivência para uma espécie de arena na qual também ocorrem certos debates sociais. Se tornou uma vitrine de comportamentos, pautas identitárias e estratégias de marketing digital. Tudo isso com recordes mundiais sendo batidos. Importante salientar que esse ano seria o 25, caso não tivesse a Globo realizado duas edições em um único ano, logo no começo.
O formato original foi criado pela produtora holandesa Endemol. Quando adquiridos os direitos para sua reprodução em nosso país, eram dois os apresentadores: Marisa Orth e Pedro Bial. Depois o jornalista assumiu o comando sozinho, iniciando uma fase que se notabilizou pelo seu estilo, ao imprimir discursos de eliminação que eram poéticos e vinham cheios de enigmas, antes da revelação. Entre 2017 e 2021 foi a vez de Tiago Leifert estar à frente, com Tadeu Schmidt no posto de 2022 até agora. O primeiro dos vencedores foi Kleber Bambam, que conquistou o público como uma manobra que nunca se soube se foi pensada ou não: ele criou uma boneca de sucata, a quem deu o nome de Maria Eugênia, para aplacar a solidão.
Nos primeiros dez anos, os participantes do reality eram majoritariamente pessoas anônimas, com perfis com os quais os organizadores buscavam representar a diversidade do brasileiro comum. Ou seja, além do prêmio em dinheiro, essas pessoas perseguiam também a possibilidade de se tornarem celebridades, abrindo portas para a vida profissional posterior. Isso foi de tal forma evidente e impactante que passou a ser uma espécie de categoria acrescentada nos currículos, a de “ex-BBB”. A partir da sua vigésima edição o formato mudou drasticamente, ao misturar na mesma casa, com os anônimos (grupo Pipoca), pessoas já conhecidas (grupo Camarote). Essa iniciativa revitalizou a audiência, que havia caído, e fez explodir o engajamento nas redes sociais. Aliás, aquela edição se tornou a recordista mundial em número de votos públicos recebidos por um programa de televisão, segundo atesta o Guinness Word Records. No paredão entre Manu Gavassi, Felipe Prior e Mari Gonzalez foram nada menos do que 1,5 bilhão de votos.
Há fatos marcantes, que merecem registro. Um deles foi a adoção de táticas psicológicas de isolamento ainda mais severas, como quando o “Quarto Branco” surgiu no BBB 9. Três participantes foram confinados em um quarto totalmente branco, com luzes acesas o tempo todo e uma sirene. Um botão vermelho, se apertado, levaria à eliminação do jogo. Outro é a regra de tolerância zero para agressões físicas. No BBB 16, Ana Paula Renault foi expulsa ao dar um tapa em colega. O mesmo foi feito em relação a Marcos Harter, no BBB 17. E já que estamos listando eventos, o programa fez várias “trocas” de participantes com outros de edições internacionais, como Gran Hermano, da Espanha, Argentina e México; e o Big Brother África.
No BBB 5 pela primeira vez na história do programa foi pautada, de modo aberto e direto, a homofobia, com Jean Wyllys. Um triângulo amoroso se tornou famoso no BBB 7, protagonizado por Diego Alemão, Siri e Fani. No BBB 10 Marcelo Dourado converteu-se no primeiro ex-participante que, ao retornar, conseguiu ser o vencedor. E no BBB 21 Juliette Freire ganhou mais de 30 milhões de seguidores, tornando-se um fenômeno nas redes sociais. Finalizando nosso passeio por curiosidades, este é um dos raros programas que possui uma “economia própria”. As estalecas são a sua moeda oficial, com os participantes podendo ganhar ou perder o dinheiro fictício, conforme seu desempenho em provas e comportamento na casa. Isso tem sérias consequências, uma vez que os recursos precisam ser empregados para a aquisição de comida, o que mais de uma vez gerou conflitos épicos.
O gaúcho Rodrigo Dourado migrou do jornalismo para o entretenimento da Rede Globo em 2002. Está, portanto, atuando diretamente com esta atração, desde o primeiro momento. Começou como editor do programa. Em 2015 assumiu a direção geral, após anos trabalhando no conteúdo, na pós-produção e na direção das festas temáticas. Nos anos de 2020 e 2021 subiu mais um degrau na hierarquia, ao assumir a direção artística. Foi nesse cargo que ajudou a moldar o formato de sucesso que persiste, unindo os grupos Pipoca e Camarote.
Em setembro de 2024, quando a Globo anunciou que Boninho deixaria o comando dos realities, após quatro décadas na emissora, o nome de Rodrigo se tornou o sucessor natural. Assim, substituiu o “Big Boss” e assumiu o cargo de Diretor de Gênero Reality. Depois de tanto tempo sendo o braço direito de José Bonifácio Brasil de Oliveira, ninguém mais preparado do que ele para dar prosseguimento ao trabalho. Os seus colegas reconhecem isso, assim como respeitam seu conhecimento pela mecânica de jogo do BBB e por todos os seus processos de bastidores. Foi assim que ele estreou, no ano passado, no comando principal da atração. E também no de outros formatos, como o Estrela da Casa.
A grande tarefa de agora é manter o foco em modos de trazer ineditismo e inovação a cada temporada. Para que não “caia a peteca”. Para tanto, Rodrigo tem competência de sobra. O BBB 26, que estreia hoje, está sendo visto como a edição mais ambiciosa da história. Serão arriscadas dinâmicas que rompem com a estrutura tradicional. O que já começou na fase prévia, com a democratização dos escolhidos. Cinco Casas de Vidro simultâneas, nas cinco regiões geográficas do país (Manaus, Salvador, Brasília, São Caetano do Sul e Porto Alegre), permitiram que o público tivesse pela primeira vez o poder de escolher todos os dez membros do grupo Pipoca, que também ficaram distribuídos de forma mais equânime.
Outra novidade é que este ano haverá uma terceira categoria: além dos escolhidos pela audiência e o das celebridades (Camarote), surge o dos Veteranos, composto por ex-participantes icônicos, de outras edições, que retornam com nova chance. Muda também o Big Fone, que agora terá três aparelhos espalhados pelo jardim da “casa mais vigiada do Brasil”. E, valorizando mais uma vez a interatividade, o público terá o poder de decidir qual vai tocar e se a mensagem transmitida será positiva ou negativa.
Agora, se podemos chamar uma mudança de radical, essa fica no fato de não ser mais definitivo o elenco. Foi criado um ambiente separado, de confinamento, onde alguns candidatos ficarão como reservas. Se por acaso o público considerar que algum participante não está rendendo o suficiente, pode retirá-lo e pedir substituição. Isso elimina a possibilidade daqueles que tentam passar despercebidos, para escapar dos paredões e seguir adiante. Ou seja, o dinamismo implementado por Dourado é inegável. E deve repercutir positivamente, trazendo mais audiência e dando uma cara nova para a atração que alguns consideravam estar saturando e fadada a se encaminhar para o fim.
Interessante é que ele participou dias atrás, em um dos últimos capítulos da novela Dona de Mim, de certa forma estreando como ator. Fez o papel dele mesmo, simulando o processo de seleção de personagem que, ao longo da trama, sempre sonhou em se tornar participante do BBB. Agora é ver se a atriz que a interpretava será uma das convidadas entre as celebridades. E se ele vai pegar gosto também por essa nova atividade.
12.01.2025

O bônus de hoje começa com um cordel no qual Maryana Damasceno aborda o preconceito que não é incomum existir com o Big Brother Brasil, seus participantes e apreciadores. Depois é a vez da música tema do reality, Vida Real. A canção original é de dois compositores holandeses, Han Koornneef e Ruud Voerman, tendo sido criada em 1999. A versão brasileira é de Paulo Ricardo, músico que liderou a banda RPM, sendo seu baixista e vocalista.
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