A POTÊNCIA SAMSUNG E A ECONOMIA COREANA
A Coreia do Sul é um dos países mais desenvolvidos da Ásia. Em termos de tamanho da economia, fica atrás apenas dos gigantes populacionais, que são China – a líder disparada –, o Japão e a Índia – que ultrapassou os japoneses em projeções de crescimento, devendo inverter dentro de algum tempo suas posições. Globalmente, os sul-coreanos ocupam entre a 12ª e a 15ª posição, com um PIB que deve atingir US$ 1,9 trilhão agora em 2026. Ou seja, supera economias como as da Indonésia, que tem cinco vezes mais habitantes, e da Arábia Saudita, com seu petróleo. Está atrás do Brasil, que tem PIB de US$ 2,2 trilhões.
O inacreditável é que um único conglomerado de empresas responde por cerca de 20% da economia sul-coreana, segundo consta. Só que não é bem assim. Sendo mais preciso, do ponto de vista técnico, todo o grupo Samsung fatura o equivalente a cerca de 13 a 20% do PIB daquele país, dependendo do ano analisado e do desempenho alcançado pelo setor de semicondutores, seu carro-chefe. O Produto Interno Bruto é medido pelo valor adicionado, que é a soma da riqueza real gerada dentro do país. A contribuição referida da Samsung é o somatório de todas as receitas de suas subsidiárias, dos ramos de eletrônica, construção pesada, seguros e biotecnologia, entre outros. Na realidade, se vamos medir a sua contribuição direta e líquida, fica algo que atinge até 7%. O que, convenhamos, se trata mesmo assim de algo estratosférico.
Outro fator relevante, na comprovação do gigantismo da Samsung, é que ela responde por um quinto de todas as exportações sul-coreanas. Isso explica por que a saúde financeira da empresa é quase como se fosse um indicador da saúde financeira do país como um todo. Entre 2024 e o início deste ano, por exemplo, a economia da Coreia do Sul recebeu um forte impulso dado pela recuperação da Samsung no mercado de chips destinados à Inteligência Artificial (IA).
Agora, se a Samsung é uma espécie de “Titã” em seu país, ela não está sozinha. Ele é amplamente dominado pelo que chamam de “Chaebols”, grandes conglomerados familiares que surgiram logo após o término da Guerra da Coreia, sendo os motores da industrialização acelerada que se seguiu. O denominado “Milagre do Rio Han”. Os cinco líderes desse grupo têm um faturamento de 40% do total em relação ao PIB. Seguem a Samsung o SK Group, que domina a produção de memórias HBM e os setores de energia e telecomunicações; o Hyundai Motor Group, que fabrica veículos Hyundai, Kia e Genesis, além de controlar soluções em robótica; o LG Group, que fabrica eletrônicos de consumo, tais como celulares e televisores, além de baterias para carros elétricos (fornece para a Tesla e a GM), atuando também em química; e o Lotte Group, um gigante do varejo, dono ainda de parques e arranha-céus.
É pouco provável encontrarmos alguém que não tenha ao menos um aparelho da Samsung em casa, aqui no Brasil. Se estou exagerando, troco a afirmação por encontrarmos alguém que não conheça a marca. Aqui no meu apartamento o televisor e um dos celulares são dela. Nunca deram problema. Lá no seu país de origem, a dificuldade que as pessoas enfrentam não é essa: a da confiabilidade. A preocupação reinante diz respeito à dependência econômica e quanto ao evidente sufocamento que o gigantismo ocasiona. Não há como as suas pequenas empresas competirem por talentos e recursos, já que os engenheiros e outros profissionais aspiram trabalhar nela ou em alguma das outras gigantes citadas. A resposta do governo tem sido incentivar startups e a cultura do “K-Pop Business”. Isso para que não fiquem todos os ovos postos em uma única cesta.
Tal decisão está abrindo portas, inclusive para startups brasileiras. Eles estão pagando para que se mudem para a Coreia do Sul, com o projeto de transformarem Seul em uma espécie de novo Vale do Silício. No seu orçamento de 2026 estão previstos cerca de US$ 10 bilhões para tanto. Querem ter dez mil startups de IA e tecnologia profunda, até 2030. E que a próxima “Samsung” venha a nascer de uma ideia inovadora, não de um herdeiro de conglomerado. O outro braço dessa reação é apostar no poder da influência cultural. Entendem que a cultura não é mais apenas entretenimento, mas um ativo estratégico. O que os EUA fazem há anos.
Neste segundo tópico, o governo percebeu que um grupo como o BTS ou o sucesso de Round 6 gera um efeito cascata em outros setores. Quando o K-Pop explode, as vendas de cosméticos (K-Beauty), assim como de comida coreana e até dos eletrônicos, que em geral já estão em alta. Chegaram a criar o “Visto Hallyu”, específico para fãs da cultura coreana que desejam permanecer no país para estudar a indústria. E a Kocca, iniciais de Agência de Conteúdo Criativo da Coreia, incentiva com bilhões produções doramas e jogos, o que garante domínio nas telas globais. Do mesmo modo, seu cinema, que tem inegável qualidade, com aceitação internacional, nunca é deixado de lado – por lá a população fica feliz, não havendo ranço com indicações e conquistas de prêmios. Exemplos que o Brasil deveria seguir.
08.02.2026

O bônus de hoje é Golden, da trilha sonora da animação Guerreiras do K-Pop. Essa música (na voz de EJAE) ganhou destaque em premiações internacionais, como o Globo de Ouro em 2026, sendo um marco para animações sul-coreanas. Produzido pela Sony Pictures Animation (que também foi responsável por Aranhaverso, entre outros) e distribuído pela Netflix, conseguiu algo raro: ser um sucesso de crítica, de público e um marco histórico para a música sul-coreana. A história acompanha um grupo feminino fictício de estrelas do K-Pop, que à noite usam o poder da música para caçar demônios.
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