UMA MORTE ATRAPALHADA (E DIVERTIDA)
A Morte, assim com inicial maiúscula, é sempre personificada como um ser sombrio, quase maligno, que vem buscar as almas das pessoas que perdem a vida. Ela se veste com uma túnica preta e leva em uma das mãos aquela sua temida foice de cabo longo, também conhecida como gadanha. Ela é a ceifadora, a que se encarrega no primeiro momento do destino de quem nada mais tem a fazer aqui na Terra. Mas, se ela fosse também, como os seres humanos, imperfeita e um tanto atrapalhada? Se cumprir com seus desígnios sombrios não fosse assim favas contadas, algo tão corriqueiro e fácil que não tivesse dificuldade alguma?
Algumas animações que foram produzidas no Estúdio Simpals, na Moldávia, consideram essas possibilidades. Dirigidas por Dmitri Voloshin, a partir de 2012, elas nos trazem a Morte como um ser cômico e que enfrenta os mesmos perrengues de todos nós, meros mortais. O nome que lhe foi atribuído é Dji, algo curto e sonoro. O objetivo do autor foi a subversão do medo com algo quase infantil, humanizando a figura que em geral o que causa é terror. Na animação, ele é apenas como uma espécie de trabalhador assalariado, que tem que cumprir uma missão e nela pode até ficar entediado. E, o mais incrível, tem sentimentos.
Duas dessas histórias curtas são antológicas. A primeira gira em torno da coleta da alma de um motorista de caminhão que dorme ao volante, sofre um acidente e termina hospitalizado. Em vez de cumprir seu “trabalho” de forma eficiente, a Morte enfrenta uma série de contratempos e falhas que terminam por transformar esse encontro, que é inevitável, em algo absurdamente divertido e imprevisível. Na segunda, a sua missão é com um pirata que está perdido no meio do oceano, à deriva com destroços, após um naufrágio. E outra vez ocorrem situações cômicas, com vários desafios decorrentes do ambiente marinho e personagens que encontra em seu caminho.
Dmitri Voloshin é um diretor, produtor e empresário nascido no ano de 1974 em uma base militar perto de Odessa (Ucrânia) e atualmente ligado à Moldávia, onde vive grande parte de sua carreira. Ele é o fundador e a figura central da empresa e estúdio de animação Simpals, criado em 2002. Embora originalmente voltado para serviços online, o estúdio cresceu ao longo dos anos e passou a ser um dos principais centros de produção de animação em 3D na Moldávia, com dezenas de programas, vídeos, curtas-metragens e publicidade no portfólio. Ele tem dezenas de projetos reconhecidos e prêmios internacionais.
Essas animações citadas brincam com a inevitabilidade da morte. Mas, fazem isso de uma maneira leve e satírica. Com isso, ao mesmo tempo em que produzem humor, os trabalhos remetem à reflexão sobre a forma como lidamos com o fim da vida. Especialmente quando isso sai fora do controle do destino. O que, convenhamos, não são situações raras. Elas foram premiadas em diversos festivais de curtas, incluindo o badalado Budapest Short Film Festival. Em todos receberam elogios, tanto pela sua originalidade quanto pela primorosa execução técnica.
22.02.2026

Os bônus de hoje são as duas animações sobre as quais se debruça essa crônica: “Dji. Death Fails“ (do caminhoneiro) e “Dji. Death Sails” (do marinheiro).
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